Wagner Gomes
Ao exigir que governadores da direita subordinem seus projetos à família Bolsonaro, Eduardo encarna como poucos a fauna política nacional constituída por hienas e oportunistas. Hienas porque se movem sorrateiramente, farejam o vento e sobrevivem de vítimas, sempre à espreita de brechas no sistema que fingem combater. Oportunistas porque sabem vender ressentimento como se fosse virtude, transformando a grosseria em autenticidade e o improviso em estratégia. Jair, o patriarca, nunca produziu uma ideia original. Fez carreira nos subterrâneos do baixo clero, onde o anonimato é regra. Com a onda antipolítica, surfou como um pinto no lixo. Em sua trajetória mastigou rancor, regurgitou slogans e chamou isso de projeto nacional. Os filhos seguem a mesma cartilha, variando apenas no tom da caricatura. A matemática criativa — é a verdadeira obra-prima da família, abastecida por pix de admiradores e seguidores fanáticos. A cada crise, o clã mostra seu talento zoológico: com uma verve de pastor messiânico, conseguem abandonar, sem remorso, as ovelhas (os apoiadores) que já não rendem dividendos políticos, tal como hienas que fogem da floresta em chamas. E, quando não há mais nada a extrair, exercitam sua outra vocação: assassinar reputações, triturar antigos aliados e reescrevê-los como inimigos de ocasião. O lulismo também abriga seu zoológico. Lula, o operário convertido em pai dos pobres, domina como poucos a arte de se vender como vítima eterna. Hiena esperta, fareja cada corrente política antes de decidir em quais se apoiar. Sempre oportunista, transforma contradições em narrativas: ora querendo ser estadista global, ora assumindo o posto de messias do pobre, mas sempre fiador do próprio poder. A família não fica atrás. Os filhos, longe de serem quadros políticos, descobriram cedo a alquimia de transformar sobrenome em negócio. E o próprio Lula, que um dia se dizia dono apenas de uma “estelita” em São Bernardo, hoje desfruta de patrimônio e confortos incompatíveis com a biografia de retirante. A ascensão pessoal é explicada como milagre, mas tem muito mais de proximidade com o poder do que de providência divina. Lula aperfeiçoou duas manias: descartar aliados quando o desgaste ameaça respingar e destruir reputações de quem ousa sair da fila da lealdade. Companheiros de décadas viram inimigos da noite para o dia, enquanto novos amigos são celebrados como heróis revolucionários — até o próximo rompimento. A roda gira conforme a conveniência. A narrativa messiânica serve de biombo para o instinto de sobrevivência. O super-herói se renova em crises: nunca admite erro, sempre encontra culpados a quem transferi-los. Hiena política exemplar – para não ser degolado pela esperteza – sabe quando recuar, quando fingir grandeza e quando manipular a memória coletiva. Sempre com um sorriso sarcástico. O oportunista se esconde atrás da retórica da esperança, mas age com o cálculo frio de quem mede cada passo. Cá para nós: Lula e Bolsonaro, repetem a mesma farsa em dois atos.







