Jorge Silveira
Parece que a construção do Mocão, ou o estádio municipal, faz parte da programação da administração do prefeito Guilherme Guimarães. Pelo menos, é o que está sendo anunciad
E já no anúncio, causou controvérsia. Trocaram o nome do estádio, que antes homenageava seu idealizador, o ex-prefeito Antônio Lafetá Rebello, para Humberto Souto. Se fosse vivo, tenho absoluta certeza que Humberto não concordaria com isso.
Descartaria de pronto a ideia. Quem conheceu Humberto na intimidade, sabe que Toninho Rebello foi um espelho para ele, em toda sua vida pública. Eram amigos que se admiravam e se respeitavam, pois eram muito parecidos no aspecto moral quando se tratava de vida pública.
Para ambos, dinheiro público era sagrado. Até por essa semelhança, foram, sem dúvida, os maiores prefeitos da história de Montes Claros.
Talvez muita gente não saiba, mas quase tudo que Humberto realizou em seus dois mandatos, nos segmentos viário e de saneamento, foi aproveitando projetos deixados por Toninho em seu segundo mandato. Projetos que foram feitos com verbas do Programa Cidades de Porte Médio, no qual Montes Claros foi incluída por gestão de Humberto como deputado federal.
Incluir Montes Claros no programa, na época, década de 70, no regime militar, foi uma verdadeira batalha, pois apenas 40 cidades seriam escolhidas para ser beneficiadas com os recursos a fundo perdido do Banco Mundial. Humberto brigou muito e conseguiu que Montes Claros fosse incluída entre os 40 municípios selecionados.
Foi com esses recursos do Banco Mundial que Toninho Rebello realizou as maiores obras de infraestrutura na cidade e nos distritos, alavancando Montes Claros a se tornar a verdadeira capital do Norte de Minas.
Toninho Rebello não teve tempo de implantar todos os projetos que idealizara. Naquele tempo não tinha reeleição. Mas deixou os projetos prontos para as próximas administrações.
Infelizmente, os prefeitos que vieram depois, preferiram engavetar os projetos, com duas honrosas exceções: Jairo Ataíde implantou a avenida José Corrêa Machado e Rui Muniz a avenida do córrego Pai João.
É bom destacar: Tadeu Leite, que veio logo após Toninho, poderia ter construído o Moção, pois Toninho deixara parte da terraplenagem já iniciada. Mas Tadeu escolheu construir o Ginásio Poliesportivo. Afinal, ele não iria concluir uma obra idealizada e iniciada por seu adversário.
E o ginásio que ele construiu, ganhou o nome de elefante branco.
Já Humberto Souto foi no caminho certo. Tirou da gaveta todos os projetos deixados por Toninho, já amarelados pelo tempo, atualizou cada um, e executou todos. E Montes Claros se transformou nessa beleza de cidade. Isso se chama visão de administrador sério e competente.
Mas voltemos ao início da história.
Com a repercussão que houve com a troca do nome do futuro estádio, o prefeito veio a público explicar que não será construído apenas o estádio, mas um amplo complexo esportivo. E que o complexo terá o nome de Toninho Rebello. Depois do imbróglio criado, uma bela saída pela tangente.
Só que a família de Toninho Rebello não concordou. Por escrito, comunicou ao prefeito que fica muito “agradecida”, mas dispensa a homenagem. Se o prefeito quiser ser justo, ainda dá tempo para voltar atrás.
Afinal, o estádio ainda demora pelo menos dois ou três anos para ficar pronto e ser inaugurado. De minha parte, vai aí um conselho para o prefeito: se aprendeu alguma coisa com Humberto, dispense os puxa-sacos. Essa ideia de trocar o nome do estádio, deve ter partido de um deles.
(Foto Fábio Marçal e Rubens Santana)








