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O Brasil vive esse feitiço. O tempo não avança. Os rostos são os mesmos. Os roteiros também.

MESMO

As eleições se aproximam. A disputa para o legislativo estadual e federal oferecerá os mesmos rostos. Parece comum Brasil afora. É como na Câmara Municipal de Montes Claros. As mudanças são raras porque há um sistema definido para manutenção no poder de quem já está lá.

TRANCA

O Brasil vive esse feitiço. O tempo não avança. Os rostos são os mesmos. Os roteiros também. É um déjà-vu perturbador. O problema é que, com o tempo, quem organiza a democracia aprende também a trancá-la por dentro. Acumula informação, experiência, contatos, prestígio, domínio das regras e controle da máquina.

SISTEMA

O articulista e pensador João Pereira Coutinho afirma que “a concentração de poder permite esse patrimonialismo partidário”. E mais: “somando-se a isso, temos o ambiente midiático de hoje, em que a rapidez e a eficácia são a alma do negócio. Repetir o nome é repetir uma marca conhecida: reduz o custo de apresentar ao eleitor um produto novo. Um desconhecido precisa ser explicado; um herdeiro já vem explicado”.

CARTEL

Por último, e talvez mais importante, os partidos evoluíram historicamente para se tornar partidos-cartel, cada vez mais sustentados pelo Estado. Depende do acesso ao poder e aos seus recursos. Isso cria um novo tipo de disciplina interna, avessa ao pluralismo e à concorrência.

PARADO

Forte mesmo é o comodismo instalado na Câmara Municipal. Visitando o local, com assessores aos borbotões, há uma letargia em processos que se repetem, homenagens que se expandem, personagens que vão envelhecendo e já preparando a pavimentação do terreno para outro familiar entrar.


GADO

Não está fácil para o produtor rural. Fora o enfrentamento natural das emoções do tempo e suas variações imprevisíveis, mercado inserto e taxação absurda, o bovinocultor norte-mineiro, em especial, está enfrentando a falta de vacina necessária ao gado. Quando a vacina aparece, o preço precisa ser ruminado ao mesmo tempo que se gasta dias para ajuntar dinheiro. O próprio presidente da Sociedade Rural, Flávio Oliveira, viveu na pele esta situação neste mês.


ÁGUA

Flávio Oliveira, experiente professor, especialista em irrigação e drenagem, participa das negociações envolvendo o aproveitamento de águas do rio Congonhas, sonho antigo para ampliar o abastecimento a partir do sistema Verde Grande. Foi implantado um consórcio para a construção da Barragem de Congonhas e o presidente da Sociedade Rural tem confiança que obra sairá do papel. O próprio Flávio Oliveira participou dos levantamentos técnicos para viabilizar o empreendimento.


FUTURO

O olhar do presidente da Sociedade Rural é aplicado no Comitê de Bacias do Rio Verde. Segundo Flávio Oliveira, o importante é trabalhar para a segurança hídrica, e “isso se faz agora para garantir abastecimento no futuro”.

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