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EUA recomendam suspender vacina da chikungunya aprovada no Brasil

A FDA (Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos) e o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) recomendaram, nesta semana, a suspensão da aplicação da vacina contra chikungunya em pessoas com 60 anos ou mais. A decisão foi tomada após o registro de 17 eventos adversos graves, incluindo duas mortes, em pacientes imunizados com a vacina IXCHIQ, aprovada recentemente no Brasil.

As reações foram registradas em indivíduos entre 62 e 89 anos, sendo seis casos nos Estados Unidos. Segundo os órgãos, a maioria apresentava comorbidades, e os efeitos relatados foram principalmente neurológicos e cardíacos — alguns semelhantes às próprias complicações da chikungunya.

De acordo com o comunicado, a bula da vacina já alertava sobre a possibilidade de efeitos adversos graves ou prolongados, que podem imitar a doença.

Testes já indicavam riscos

Nos ensaios clínicos, 1,6% dos vacinados tiveram reações adversas graves, enquanto nenhum caso foi registrado no grupo que recebeu placebo. A IXCHIQ é produzida pela farmacêutica Valneva e utiliza o vírus vivo atenuado. Nos EUA, sua aplicação foi aprovada para maiores de 18 anos com risco elevado de exposição.

Com os novos relatos, a FDA informou que fará uma reavaliação da relação risco-benefício da vacina em idosos antes de decidir sobre a continuidade da aplicação nesse grupo.

Imunizante aprovado no Brasil

No Brasil, a Anvisa autorizou o uso da vacina em abril deste ano, também para pessoas a partir de 18 anos. O Instituto Butantan é responsável pela distribuição no país e aguarda a aprovação de uma versão fabricada e rotulada nacionalmente.

A agência reguladora brasileira ainda não informou se irá adotar a recomendação americana.

A infectologista Eliana Bicudo, da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), afirmou que o alerta faz parte do monitoramento de segurança que ocorre após a aprovação de qualquer vacina. “Quando surgem esses relatos, é preciso investigar, estudar cada caso e informar os órgãos de saúde para avaliação de possíveis ajustes”, explicou.

Transmissão e cuidados

Transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, a chikungunya provoca febre alta, dores intensas nas articulações, cansaço e, em casos mais graves, complicações neurológicas e cardíacas. Embora a vacina represente um avanço na prevenção, as autoridades reforçam que é necessário cautela no uso em grupos mais vulneráveis, como os idosos.

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