Preso em Sabará acusado de participar do plano que levou ao massacre da cadeia de Ponte Nova

Homem de 44 anos estava foragido desde 2013 e é investigado por envolvimento no ataque que provocou a morte de 25 detentos em 2007, na Zona da Mata mineira.

Um homem de 44 anos, considerado de alta periculosidade e apontado como integrante de facção criminosa, foi preso nesta semana em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ele é acusado de participar do plano que resultou na morte de 25 detentos na Cadeia Pública de Ponte Nova, em 2007, episódio que ficou conhecido como o Massacre da Cadeia de Ponte Nova.

A prisão foi realizada por policiais do Batalhão de Rondas Táticas Metropolitanas (Rotam) da Polícia Militar de Minas Gerais. A localização do suspeito ocorreu em trabalho conjunto do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa da Segurança Pública (CAO-SEP), do Ministério Público de Minas Gerais, e da Diretoria de Inteligência da Polícia Militar (DINT/PMMG).

De acordo com as autoridades, o homem estava foragido desde 2013. Durante a abordagem, ele tentou enganar os policiais apresentando documento falso. Contra ele havia três mandados de prisão em aberto.

Segundo as investigações, o suspeito foi preso originalmente em 2007 ao lado de irmãos ligados à chamada “Gangue dos Barões”, grupo que disputava o controle do tráfico de drogas em Ponte Nova.


Plano para executar rivais

Conforme a apuração policial, o grupo é acusado de participar do planejamento de uma falsa rebelião dentro da cadeia com o objetivo de executar integrantes de uma facção rival que também estavam presos na unidade.

O plano previa inicialmente a morte de sete adversários, mas a situação saiu do controle quando colchões foram incendiados dentro de uma das celas, provocando um incêndio de grandes proporções.

As investigações indicam que armas e facas utilizadas no ataque teriam entrado na cadeia com a ajuda de um carcereiro, que teria recebido R$ 1 mil para facilitar o acesso ao material. Ao todo, 22 detentos e o agente penitenciário foram indiciados no caso.


Fuga durante julgamento

Em 2013, o acusado foi condenado a 11 anos e nove meses de prisão por tentativa de homicídio relacionada ao caso que motivou sua prisão inicial. Durante um intervalo do julgamento, antes da leitura da sentença, ele conseguiu fugir do tribunal, passando a ser considerado foragido.

Ele também possui condenação de seis anos e quatro meses por tráfico de drogas e formação de quadrilha. A pena remanescente a ser cumprida é de 15 anos e nove meses de prisão.


Relembre o massacre da cadeia de Ponte Nova

A rebelião que resultou na morte de 25 presos ocorreu na madrugada de 2007 e teve repercussão nacional.

Por volta da 1h da manhã, detentos ligados a grupos rivais iniciaram um confronto dentro da unidade. Presos foram encurralados em uma das celas do segundo pavimento, onde colchões embebidos em material inflamável foram incendiados.

O fogo se espalhou rapidamente pelo andar superior da cadeia e só foi controlado cerca de uma hora depois. Como o município não possuía unidade do Corpo de Bombeiros, um caminhão-pipa foi utilizado para auxiliar no combate às chamas.

Muitos corpos ficaram carbonizados, o que dificultou a identificação das vítimas, posteriormente encaminhadas ao Instituto Médico-Legal de Belo Horizonte.

Na época, a cadeia pública de Ponte Nova tinha capacidade para 87 detentos, mas abrigava 173, situação que evidenciava o problema de superlotação do sistema prisional.

Após a tragédia, o governo de Minas Gerais iniciou a desativação da unidade, transferindo mais de uma centena de presos para presídios em outras cidades do estado.

(imagem da internet – jornal O Tempo)