Da década de 60, no século passado, até hoje, apenas dois prefeitos em Montes Claros, conseguiram eleger seu sucessor, ou seja, o candidato que escolheram e apoiaram. Todos os outros, tiveram frustado o sonho de manter um aliado no poder. Nessa conta, não entram dois que se reelegeram, mas dos quais apenas um elegeu seu sucessor. Por sinal, no quesito reeleição, apenas dois obtiveram sucesso.
É bom lembrar que antes da década de 90 não havia reeleição para presidente, governadores e prefeitos. O direito à reeleição foi criado em 1997, pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, através de emenda constitucional aprovada pelo Congresso.
Jairo Ataíde se elegeu prefeito em 1996. E se reelegeu em 2000. Humberto Souto foi eleito pela primeira vez em 2016 e se reelegeu em 2020. Mas voltemos ao início da história, que mostra que apenas dois prefeitos, desde a década de 60 do século passado, tiveram êxito em manter um aliado no comando da prefeitura. Retrocedamos à década de 1960. Era prefeito o engenheiro Simeão Ribeiro Pires. Abro um parêntese para dizer que Simeão foi o maior tribuno que conheci. Simeão apoiou o médico João Valle Maurício, que tinha Mário Ribeiro como candidato a vice, como seu sucessor. Era uma dobradinha que juntava os partidos mais fortes da época ( PSD, PR e UDN). A chapa parecia invencível e fez uma campanha inesquecível.
Quem daquela época ainda é vivo deve se lembrar dos comícios incríveis protagonizados por Maurício/Mário. Só não contavam com o azarão Pedro Santos, que se lançou candidato por um partido minúsculo, sem dinheiro, apenas com o seu carisma de médico dos pobres, e estourou de votos nas urnas. Aí, nascia o mito Pedro Santos, que quatro anos depois retornaria à prefeitura em outra campanha histórica.
Pedro Santos não precisou lançar ninguém à sua sucessão, pois todos os partidos se uniram e decidiram lançar Antônio Lafetá Rebello como candidato único, pois enxergavam que Montes Claros precisava dar um salto triplo em seu desenvolvimento, pois a região havia sido incluída na área da SUDENE e passaria a contar com os incentivos fiscais daquela autarquia. Essa visão do futuro da classe política foi como um bilhete premiado.
Em quatro anos Toninho Rebello transformou a cidade e o dinheiro da SUDENE começou a irrigar o município e a região. Mas essa é outra história que contaremos em uma outra oportunidade. Agora o assunto é outro.
Concluída sua gestão, um banho de bola de administração, Toninho Rebello lançou o médico e historiador Hermes de Paula à sua sucessão. O MDB escolheu como candidato o engenheiro João Carlos Sobreira. Mas olha aí de novo o azarão. Pedro Santos se lança candidato por uma sublegenda da ARENA e novamente aniquila os adversários, com o apoio de quem? Do ex-prefeito Simeão Ribeiro, que nos comícios destroçava os oponentes com discursos memoráveis.
Pedro Santos não faz seu sucessor. Moacir Lopes se elege e também não consegue eleger Hamilton Lopes, seu escolhido. Toninho Rebello retorna à prefeitura com mais de 50% dos votos, derrotando cinco outros candidatos: Pedro Narciso, José da Conceição e Aroldo Tourinho, pelo MDB, e Hamilton Lopes e Pedro Santos, por sublegendas da ARENA.
De 1976 a 1982 Toninho Rebello realiza a maior administração de toda a história de Montes Claros, contando com os recursos a fundo perdido do Banco Mundial, do programa Cidades de Porte Médio. Mas as dezenas de grandes obras, que estão aí até hoje e que alavancaram o desenvolvimento de Montes Claros, não foram suficientes para Toninho Rebello eleger seu sucessor, o médico Crisantino Borém.
Aí entra Luiz Tadeu Leite, jovem vereador do PMDB, que surfou na onda de Tancredo Neves, candidato a governador pelo PMDB. E como o voto era vinculado, Tadeu Leite se elege o prefeito mais jovem da história política de Montes Claros. E seria também o primeiro prefeito a eleger seu sucessor, seu vice Mário Ribeiro. Tadeu retornaria quatro anos depois. Mas aí não consegue fazer seu sucessor. Lança seu vice, Athos Avelino, e perde para Jairo Ataíde, que quatro anos depois se reelege. Mas Jairo também não consegue eleger seu escolhido, o deputado Gil Pereira, que perde para Athos Avelino, que Jairo derrotara oito anos atrás.
Athos não se reelege, perde para Tadeu, eleito prefeito pela terceira vez.
Tadeu não se candidata à reeleição e Rui Muniz se elege derrotando Paulo Guedes no segundo turno. Ruy é afastado do mandato por decisão judicial e seu vice José Vicente assume.
Aí começa a era Humberto Souto, que derrota Paulo Guedes e se elege para seu primeiro mandato. É reeleito com 83% dos votos no primeiro turno, sendo o segundo prefeito mais votado do Brasil. Resultado de uma administração impecável, avassaladora. E por causa disso, entre outros méritos, se torna o segundo prefeito que nos últimos 60 anos conseguiu eleger seu sucessor, seu vice Guilherme Guimarães.
Será que a história irá se repetir também nos próximos 60 anos? Dizem que a história sempre se repete. É bom que o prefeito Guilherme Guimarães se previna contra essa maldição do passado!







