Há alguns anos, o mês de maio era celebrado na Catedral como o mês de Nossa Senhora. Seguindo uma tradição iniciada no século XIII, o gesto de colocar uma coroa na imagem da Virgem Maria surgiu como forma de homenageá-la como Rainha do Céu. A Catedral, por meio de suas catequistas, desenvolvia um intenso trabalho junto às catequeses infantis e também com os pais, incentivando-os a levarem seus filhos para coroarem Nossa Senhora no dia 13 de maio.
Um dos grandes incentivadores dessa devoção foi São Filipe Néri, no século XVI. Escolas tradicionais, como o Colégio Gonçalves Chaves, há mais de cem anos promoviam essa bela manifestação de fé entre seus alunos.
Os fiéis sentem falta dessas solenidades. Comparecem às igrejas, mas encontram um vazio em torno dessa comemoração, pois a ausência da coroação faz com que restem apenas algumas poucas visitas à imagem de Nossa Senhora. A lembrança do cortejo das crianças entrando pela nave central da Catedral criava emoção, encantamento e alegria entre os fiéis.
Num passado não tão distante, era enorme o número de adultos e crianças que disputavam a oportunidade de participar da coroação. Hoje, muitas vezes, restam apenas algumas rápidas palavras no sermão sobre Nossa Senhora e uma breve alusão ao seu dia.
O que está acontecendo com os religiosos? A devoção mariana está acabando?
A resposta veio ao meu coração no último domingo, durante a Missa das Crianças, na Igreja São Pedro: mais de 200 anjinhos, ávidos para coroarem Nossa Senhora. Que espetáculo lindo e contemplativo! Foi emocionante sentir a veneração pela Mãe de Deus.
Há também a beleza da inocência infantil, que nos aproxima ainda mais do Céu.
Um belo exemplo a ser seguido por religiosos e catequistas. Em uma época tão materialista, manter viva a espiritualidade muito contribuiria para a Glória de Deus.
Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós.












