DISTÂNCIA
A clínica de fisioterapia, que o município entregou segunda-feira última à população, é um avanço extra no socorro às pessoas que necessitam de reabilitação, inclusive depois de Acidente Vascular Cerebral. É instrumento tão valioso em benefício para quem necessita, e não são poucos, que mereceria melhor solenidade de entrega aos munícipes. Não é questão de rapapé e salamaleque, mas de pertencimento.
LUZES
Desde o início da caminhada como prefeito titular, Guilherme Guimarães convive com um desencontro entre compreensão da população sobre os objetivos da administração e a entrega de resultados. Os objetivos caem na vala comum, ninguém sabe, ninguém os viu, e vai se tocando o barco com a naturalidade do horário do café, do almoço e do jantar. A entrega de resultados da administração é visível, mas não é valorizada nem como fruto de quem sabe administrar e ama trabalhar em favor do povo. Por quê?
VISÃO
É muito simples. Na inauguração da clínica de fisioterapia havia público minguado, muitos já de cadeira cativa e itinerante. A população da Vila Ipiranga, bairros de Lourdes e Monte Alegre, próximos à clínica, desconhecia o que iria acontecer na noite de segunda-feira ou até mesmo para que serviria aquele instrumento de benefício para quem precisa de reabilitação. Não se ama o desconhecido, até porque ele não faz parte da convivência coletiva.
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JUNTO
O ex-prefeito Luiz Tadeu Leite era a cara do populismo regional. Os tempos eram outros, início da década de 1980, e ele tinha nascido na antiga Rádio Sociedade (ZYD-7), apadrinhado pelo lendário Toninho Rebello, também ex-prefeito de Montes Claros.
FAMA
No princípio, Elias Siuffi, o Chefe, que dirigia a rádio, não nutria simpatia por Tadeu, o que foi superado pela fama adquirida pelo novo radialista e o seu programa Boca no Trombone. Tadeu falava para os bairros e contra os bacanas. Eleito vereador, aproveitou a estocada dos novos tempos com Tancredo Neves e arregimentou forças do MDB antigo, tornando-se prefeito. Derrotou toda a tradição política de Montes Claros.
RUA
Tadeu recebeu de mãos beijadas o Programa Cidade de Porte Médio, construído e iniciado por Toninho Rebello, verbas a fundo perdido. Era muito recurso. Calçou ruas, ampliou pontos de carroceiros, lavanderias comunitárias, construiu postos de saúde e escolas. Mas o mais importante para Tadeu Leite era ter maioria no reconhecimento popular. E para isso comunicava-se diariamente com a população, dando entrevista, posteriormente na Rádio Terra, de sua propriedade. Falava ao coração e de olho na eleição.
CIRCO
O cérebro dessa proximidade com a população era Helliomar Vale da Silveira, o Léo Silveira, fiel escudeiro, secretário-chefe do Gabinete. Havia reunião semanal e o discurso mantido era os pobres contra os ricos. Havia circo dos bairros, olimpíada de bairro contra bairro e toda quinta-feira a porta do gabinete da prefeitura ficava aberta para que a população fosse lá pedir alguma ajuda. Normalmente o visitante levava alguma coisa, seja uma lona plástica ou encaminhamento para atendimento médico. Os tempos eram outros.
ALTO-FALANTE
Entre as estratégias de comunicação utilizadas naquela época, o carro de som percorrendo os bairros era de fundamental importância. Tadeu gravava um texto para anunciar inauguração de obra, que fosse uma ponte, ou campanha de vacinação. Sempre começava assim: “aqui quem fala é o amigo de vocês, o prefeito Luiz Tadeu Leite…”. Assim Tadeu reinou, chegou a ser deputado federal e secretário de Estado, nos dois casos um verdadeiro fiasco.
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AULA
Mas a história está aí. O prefeito Guilherme Guimarães pode até querer mudar caminhos para aproximar-se do público em geral. Mas não vai conseguir. O entorno é muito técnico, não há cadência no discurso e o isolamento prevalece entre as secretarias. Em alguns casos, há até um elitismo desnecessário, ritual burocrático nas inaugurações, fora o atraso.
FAVORÁVEL
E os ventos são favoráveis à administração num quesito. Não há oposição e ninguém ainda está no radar com capacidade para governar Montes Claros. Os nomes que aparecem aqui e ali, sempre os mesmos, primeiro terão que se desvencilhar de suas amarras com a Justiça ou a fama de caloteiro. Além do mais, a oposição mais radical não fala a língua de Montes Claros e o discurso é mais distante do que o da atual administração. A diferença é quem está no comando.








