Por Flávio Gonçalves Oliveira
Presidente -Sociedade Rural de Montes Claros
O Norte de Minas conhece, como poucas regiões do Brasil, o significado da palavra desafio. Aqui, aprendemos a produzir convivendo com a seca, enfrentando as adversidades do clima, as dificuldades logísticas, as oscilações da economia e, muitas vezes, a distância dos grandes centros de decisão.
Também convivemos diariamente com o rigor da legislação ambiental mineira, que exige do produtor rural responsabilidade, adaptação constante, regularização e compromisso permanente com a preservação ambiental.
Mesmo diante de tantos desafios, o agro do Norte de Minas segue produzindo, gerando empregos, movimentando a economia e sustentando milhares de famílias.
Mas foi justamente dessas dificuldades que nasceu a força do nosso povo.
A força de quem acorda antes do sol.
De quem acredita na terra.
De quem transforma trabalho em desenvolvimento.
O agro do Norte de Minas não é apenas atividade econômica.
É identidade.
É herança.
É sustento.
É futuro.
E talvez por isso eu tenha tanto orgulho de carregar no peito o DNA Rural.
Sou filho dessa história.

Um menino que cresceu vendo o agro mover famílias, gerar oportunidades e transformar vidas. A caminhada me levou à universidade, ao doutorado em irrigação, à vida acadêmica e ao compromisso de contribuir tecnicamente com o desenvolvimento do nosso setor.
Hoje, como professor universitário e presidente de uma das instituições mais importantes do agro mineiro, compreendo ainda mais a responsabilidade que temos diante da nossa região, dos produtores e das futuras gerações.
A Sociedade Rural de Montes Claros chega aos seus 82 anos reafirmando aquilo que sempre esteve em sua essência: defender o produtor rural, fortalecer o agro e impulsionar o desenvolvimento regional. São mais de oito décadas de história construídas por homens e mulheres que entenderam que o campo nunca foi apenas produção.
O campo é transformação social, geração de emprego, inovação, educação, preservação ambiental e construção de futuro.
E é exatamente esse espírito que move a organização da 52ª Expomontes.
Uma feira construída com planejamento, responsabilidade, compromisso e respeito à grandeza que ela representa para Montes Claros, para Minas Gerais e para o Brasil.
A Expomontes não é apenas uma exposição agropecuária.
Ela é o reflexo da força de uma região inteira.
Durante dez dias, o parque se transforma em vitrine da pecuária, da agricultura, da genética, da tecnologia, dos negócios, da cultura, do entretenimento e das oportunidades.
É o agro em movimento.
É o agro em ação.
O agro que planta.
O agro que cria.
O agro que cuida.
O agro que preserva.
E dentro dessa construção coletiva, existem momentos que carregam simbolismos especiais.
A apresentação das Rainhas da Expomontes representa muito mais do que beleza e tradição.
Representa a juventude, a continuidade das gerações, o amor pela nossa terra e o fortalecimento da família rural.
Porque a Expomontes sempre foi isso: um encontro de famílias, de histórias, de memórias e de pertencimento.
Estamos preparando uma edição histórica.
Uma Expomontes que honre o passado, valorize o presente e inspire o futuro.
Mas nenhum evento se torna grandioso sozinho.
A força da Expomontes nasce das pessoas.
Dos produtores, dos expositores, das empresas parceiras, das entidades, dos colaboradores, dos profissionais e de todos aqueles que acreditam no agro como motor do desenvolvimento.
Por isso, mais do que nunca, este é o momento de valorizarmos aquilo que temos de mais forte: a nossa origem.
O agro precisa ser defendido.
Precisa ser respeitado.
Precisa ser compreendido.
Porque enquanto muitos enxergam apenas números, nós enxergamos vidas sendo alimentadas, famílias sendo sustentadas e uma região inteira sendo movimentada todos os dias.
A 52ª Expomontes já começou.
E ela começa exatamente aqui: na força de quem acredita no campo e no orgulho de carregar o agro dentro da própria história.











