Minas Gerais deve enfrentar meses de temperaturas acima da média e mudanças no comportamento das chuvas. A previsão está associada à atuação do El Niño, fenômeno climático que provoca o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e pode influenciar o clima em diferentes regiões do mundo.
Em Belo Horizonte, os efeitos já foram percebidos. No domingo (9), os termômetros chegaram a 34,7°C, segunda maior temperatura registrada na capital mineira neste ano e quase 10°C acima da média esperada para o período, de 26,3°C.
De acordo com Paula Souza, meteorologista do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), a fase quente do fenômeno está relacionada ao aumento das temperaturas em Minas Gerais. A tendência, segundo a especialista, é que o calor continue nos próximos meses.
Fenômeno pode ser um dos mais intensos
As projeções climáticas indicam que o El Niño poderá ganhar força entre outubro e dezembro. Os modelos analisados pelo Igam apontam para temperaturas no Pacífico Equatorial até 2°C acima do normal, cenário que colocaria o fenômeno entre os episódios classificados como extremamente fortes.
A previsão também chama atenção pela duração. A expectativa é de que o El Niño permaneça ativo pelo menos até o trimestre formado por fevereiro, março e abril de 2027, prolongando sua influência sobre as condições climáticas de Minas Gerais.
Com isso, os efeitos não devem ficar restritos ao inverno. A primavera e o verão também podem registrar temperaturas mais elevadas que o habitual.
Chuva deve chegar mais tarde
Além do calor, outro reflexo esperado é o atraso no início do período chuvoso em Minas Gerais.
Segundo a meteorologista, as precipitações também tendem a ocorrer de maneira irregular, tanto na distribuição pelo território quanto ao longo do tempo. O cenário pode provocar períodos prolongados sem chuva intercalados com episódios de precipitação intensa em pouco tempo.
Na prática, isso significa que o estado pode enfrentar estiagem prolongada, seguida por temporais capazes de concentrar grandes volumes de água em períodos curtos.
O comportamento previsto exige atenção, especialmente em regiões que já enfrentam períodos de baixa umidade e altas temperaturas. A combinação de calor persistente, pouca chuva e precipitações irregulares pode aumentar os impactos sobre o abastecimento, a agricultura e o risco de queimadas.
A previsão reforça a necessidade de acompanhamento das condições meteorológicas nos próximos meses, principalmente diante da possibilidade de o El Niño permanecer influenciando o clima mineiro até o início de 2027.














