O tabuleiro político de Minas Gerais para as eleições de 2026 está oficialmente montado. O cenário que emerge das convenções partidárias é de absoluta imprevisibilidade. Com 10 chapas registradas para a disputa ao governo do segundo maior colégio eleitoral do país, a corrida ao Palácio Tiradentes promete ser uma das mais acirradas e surpreendentes das últimas décadas.
Até o momento, os candidatos formalizados pelos partidos são: Alexandre Kalil (PDT), Ben Mendes (Missão), Cleitinho Azevedo (Republicanos), Flávio Roscoe (PL), Mateus Simões (PSD), Patrus Ananias (PT), Gabriel Azevedo (MDB), Maria da Consolação (PSOL), Rafael Duda (PSTU) e Túlio Lopes (PCB).
No entanto, as atenções do mundo político estão voltadas para três nomes que protagonizaram as principais articulações recentes: o atual governador Mateus Simões (PSD), o empresário Flávio Roscoe (PL) e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos).
A Reviravolta de Cleitinho Azevedo
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), natural de Divinópolis, tem sido a figura central do drama político mineiro neste período de definições. Liderando as pesquisas de intenção de voto com 35% no primeiro turno, segundo levantamento Genial/Quaest do final de julho, o parlamentar protagonizou uma sequência de recuos e avanços.
Na segunda-feira (3 de agosto), Cleitinho publicou um vídeo ao lado de Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, anunciando sua desistência da corrida eleitoral por razões familiares, após o falecimento recente de seu irmão caçula, Matheus Azevedo. Um dia depois, durante convenção nacional do partido em Brasília, o senador voltou atrás publicamente e pediu uma “nova chance” para disputar o Palácio Tiradentes.
A indefinição durou até a noite desta sexta-feira (7 de agosto), quando, em coletiva de imprensa em Divinópolis, Cleitinho fez uma ligação de vídeo para a direção do partido, que autorizou a candidatura. Em nota oficial, o Republicanos confirmou a decisão após o senador assumir o compromisso de levar o projeto até o fim sem a utilização de recursos do fundo eleitoral.
🟢 LEIA TAMBÉM: Flávio Roscoe indicado por Bolsonaro para disputar o governo de Minas, pelo PL
Flávio Roscoe: A Aposta Empresarial do PL
A hesitação inicial de Cleitinho levou o Partido Liberal (PL) a consolidar uma alternativa própria. Apoiado pelo candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro, o PL oficializou a candidatura do empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
Roscoe, que se licenciou da Fiemg em abril de 2026 para ingressar na política partidária, é sócio-diretor de empresas do setor têxtil e atuou na elaboração do plano de governo nacional da legenda. Ele foi anunciado oficialmente como o nome do partido na quarta-feira (5 de agosto).
Durante o anúncio, o empresário destacou sua intenção de propor reformas estruturais para o estado. Mesmo após a confirmação da candidatura de Cleitinho, a coordenação da campanha nacional do PL reafirmou a manutenção do nome de Roscoe na disputa mineira.
Mateus Simões: A Busca pela Continuidade
Representando a continuidade da atual gestão, o governador Mateus Simões (PSD) teve sua candidatura à reeleição confirmada no domingo (2 de agosto), em convenção realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
Professor, advogado e produtor rural, Simões construiu sua trajetória pública em Belo Horizonte, onde foi vereador, antes de assumir o cargo de secretário-geral e, posteriormente, o comando do Executivo estadual. Com o apoio do ex-governador Romeu Zema (Novo), Simões defende a manutenção do modelo administrativo implementado nos últimos anos.
“Resgatamos Minas da pior crise da sua história. Juntos nós criamos um novo modelo de governo”, discursou Simões durante o ato político na capital.
Com a máquina estadual a favor, a estratégia de Simões se concentra em converter entregas de gestão em crescimento nas pesquisas de intenção de voto, nas quais aparece com 6% das preferências no primeiro turno. Sua chapa inclui legendas como Avante e Democracia Cristã (DC), mantendo negociações em aberto sobre a vaga de vice-governador.
🔴 LEIA MAIS: As Pesquisas e o Espelho da Democracia]
Um Cenário Aberto e Disputado Voto a Voto
A corrida pelo Palácio Tiradentes em 2026 apresenta um quadro de incertezas raras na política mineira. A presença simultânea de candidatos do campo conservador e liberal, somada a nomes com base consolidada como Alexandre Kalil (PDT) e Patrus Ananias (PT), projeta um pleito fragmentado.
Como avalia o cientista político Samuel Oliveira, a eleição se torna aberta porque lideranças nacionais enfrentam resistência para transferir votos de forma direta no estado. “Paradoxalmente, depois de tantas negociações de bastidor, pode vencer quem convencer o mineiro de que possui uma candidatura de verdade, e não apenas um nome provisório sobre a mesa de negociação”.
As próximas semanas de propaganda e agendas de rua serão determinantes para medir a adesão do eleitorado da capital ao interior, em um pleito que se desenha estratégico para a reorganização das forças políticas estaduais e nacionais.
Por enquanto, como dizia o folclórico político Magalhães Pinto, que governou o estado na década de 60, “Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”.

















