Luciano Meira
No início deste novo tempo, observa-se que, nos púlpitos da Igreja Católica, passou-se a enfatizar com maior frequência o tema da paz — seja em âmbito local, nacional ou mundial.
Impulsionados por pronunciamentos do Papa Leão, diversos sacerdotes começaram a apresentar diferentes interpretações do que seria essa paz. Em muitas delas, a paz é tratada como um simples apaziguamento dos ânimos, uma postura de excessiva tolerância, quase sempre associada à ideia de “ser bonzinho”, evitando qualquer confronto moral ou ideológico.
Alguns desses sacerdotes, inclusive, manifestam preocupação com a polarização ideológica existente no Brasil, tratando-a como um erro da opinião pública. Essa análise, no entanto, revela um certo sabor da Teologia da Libertação e do progressismo contemporâneo, segundo os quais o católico deveria aceitar passivamente doutrinas de esquerda, sem questioná-las ou combatê-las.
Essa visão me faz recordar o momento em que os anjos rebeldes foram expulsos do Paraíso, dando início à eterna luta entre o bem e o mal. A paz verdadeira nunca esteve dissociada da ordem e da justiça.
São Tomás de Aquino define a paz como “a tranquilidade da ordem”. Onde há erro, o erro deve ser combatido. Não se constrói a paz ignorando a verdade ou relativizando princípios morais fundamentais.
Talvez, se os sacerdotes estivessem mais empenhados em pregar e ensinar o cumprimento dos Dez Mandamentos em todo o mundo, viveríamos tempos melhores, marcados por mais ordem, responsabilidade e coerência cristã.
Há uma expressão italiana que traduz com precisão essa realidade: “Si vis pacem, para bellum” — “Se queres a paz, prepara-te para a guerra”. Não se trata de uma guerra física, mas de uma luta moral, espiritual e intelectual contra tudo aquilo que ameaça os valores fundamentais da civilização cristã.
No momento atual, em que vivemos uma verdadeira Torre de Babel, tanto na política quanto na sociedade, o católico não pode ser um mero praticante de uma “heresia branca”: alguém frágil, passivo, que evita refletir sobre os fatos do seu tempo. Ao contrário, deve ser uma pessoa firme, consciente e combativa, disposta a preservar valores que são insubstituíveis.
É interessante observar que, ao longo dos anos, uma das grandes batalhas da imprensa esquerdista e de diversas ONGs tem sido transformar a opinião pública em “cordeirinhos”, conduzidos como manada por ideologias progressistas.
Vivemos, acredito, um tempo em que Deus concede graças para que a opinião pública desperte e compreenda a gravidade do momento histórico que enfrentamos — e, sobretudo, a necessidade de combatê-lo com coragem, fé e lucidez.
Aos sacerdotes que tanto promovem essa chamada “paz moderna”, fica o convite: que comecem a ensinar aos fiéis a importância dos Dez Mandamentos da Lei de Deus no cotidiano de cada um. É essa vivência concreta da Lei Divina que conduz à verdadeira ordem e, consequentemente, à verdadeira paz.
Que esse Novo Ano que inicia seja de combate e de luta , pelos valores morais que irá nos proporcionar a verdadeira Paz.
(*) Diretor da LD consultoria