LUXO
Montes Claros está entre as cidades mais prósperas do Brasil. Quem viu e vive a venda de frutas, verduras, feijão e milho em balaios espalhados dentro e fora do mercado central, hoje Christo Raeff, aponta ainda para o primarismo das nossas existências. Mas há cem anos, o Christo Verdureiro, pai do lendário Konstantin Cristoff, médico e artista referência, ensinava aos filhos das Terras de Figueira o que era beterraba e couve-flor. É verdade. Mas agora há shoppings, prédios de alto padrão, indústria que atrai emprego e exige infraestrutura.
BAIXO
Mas há ressalvas neste habitat multifacetado. Balaios e mulas-madrinhas desaparecem do cenário, mas surgem periféricos que se esbaldam na ilusão e muitos vivem imersos na improdutividade. Do lado de cima, como no tempo passado, quando a cidade tinha rua de baixo e rua de cima, para se dividir politicamente, hoje o poderio econômico se diferencia daqueles que não estão em alta ou não descobriram ainda a potencialidade que têm. Parece que não conseguem se desvencilhar das amarras que os mantêm anônimos. É preciso abraçar oportunidades, descobrindo-as primeiro.
AJUDA
Montes Claros que avança, também tem aqueles que se acostumaram a viver do que pouco que recebem, tendo como exemplo as 27 mil famílias beneficiadas. Para esses, as políticas públicas municipais também poderiam apresentar opção de ascensão. Mas isso não vai acontecer. Câmara Municipal não sabe de nada, prefeitura olha infraestrutura de asfalto, que é importante, mas não altera o status quo.
PIOR
E nas entranhas da cidade há muito o que falar sobre sofrimento e dor, inanição e falta de esperança ou perspectivas para dias melhores. Um fato pode exemplificar tudo esse abalo. O Hospital Universitário Clemente de Faria, único que faz integralmente atendimento pelo SUS, acolhe e registra casos de abusos sexuais contra crianças e adolescentes.
LAÇO
Ao HU, no ano de 2025, houve142 casos levados e registrados, sendo atingidas 91 crianças e 51 adolescentes. No ano de 2026 já foram apontados, até o mês de abril, 37 casos, envolvendo como vítimas 19 crianças e 18 adolescentes. A maior parte das vítimas, nos dois anos, era do sexo feminino: 178 em 2025 e 64 em 2026. Os algozes normalmente são de dentro de casa, muito próximos, amigo ou amiga, conhecido ou conhecida, pai (18 casos só em 2025), padrasto ou madrasta, primo ou outro familiar.
CHORO
Isso é grave. O município tem que ter políticas públicas não apenas para acompanhar as vítimas. Mas também ter projetos de proteção com ares de verdade, não com viés político ou eleitoreiro. A Câmara Municipal, cujos requerimentos rastejam na direção do interesse do voto, deve pensar grande.










