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Em quanto tempo pessoas comuns podem se tornar profissionais extraordinários?

uma mulher em primeiro plano, representando uma profissional de sucesso

Por:  Vanessa Fernandes

Vivemos repetindo que tempo é o nosso recurso mais valioso. Nunca tivemos tanto acesso ao conhecimento e, ao mesmo tempo, nunca pareceu tão difícil saber o que realmente fazer com ele.

Hoje, uma única maratona de vídeos no YouTube, uma boa leitura ou um curso online podem acelerar aprendizados que, há alguns anos, levariam meses ou até anos para acontecer. O conhecimento ficou mais acessível. O desafio deixou de ser encontrar informação. O desafio passou a ser escolher qual informação merece o nosso tempo.

Mas existe uma pergunta que me acompanha há algum tempo: em quanto tempo uma pessoa comum pode se tornar um profissional extraordinário?

A resposta talvez decepcione quem procura uma fórmula pronta.

Não existe um prazo.

Existe uma decisão.

Percebo isso toda vez que começo a aprender algo novo. Antes mesmo de dominar qualquer técnica, surge um questionamento interno. É como a velha pergunta: “Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?”. Curiosamente, o novo conhecimento quase sempre nos obriga a revisitar antigas crenças, inseguranças e formas de enxergar o mundo.

É nesse momento que muitos desistem, pois não tem pensamento crítico adequado para tomar a decisão certa.

Ansiosos por resultados rápidos, tentamos aplicar imediatamente tudo o que acabamos de aprender. Queremos transformar uma ideia em desempenho no dia seguinte, como se conhecimento pudesse ser absorvido na velocidade de um vídeo de poucos minutos.

Mas desenvolvimento profissional não funciona assim.

Se uma graduação leva quatro ou cinco anos para formar um profissional, por que acreditar que uma mudança profunda de comportamento aconteceria em poucas semanas?

Antes da técnica, existe maturidade.

Antes da estratégia, existe autoconhecimento.

Antes da performance, existe a disposição para admitir que é muito mais dificil e nao vai deixar de ser dificil nunca.

Esse talvez seja o verdadeiro ponto de partida para qualquer evolução consistente.

O que vejo ao longo da minha carreira na área comercial, é que entrar em uma nova empresa nunca significa apenas aprender um novo produto ou conhecer novos clientes. Significa compreender uma cultura diferente, adaptar-se a novas formas de trabalhar, lidar com pessoas experientes, ouvir muitos “nãos” e descobrir, na prática, qual é o seu nível de maturidade profissional.

E isso vale tanto para quem está começando quanto para quem já acumula anos de experiência.

O mercado muda, as empresas mudam e as pessoas também.

Quem acredita que já sabe tudo costuma ser ultrapassado justamente porque parou de aprender.

Ao mesmo tempo, também precisamos tomar cuidado para não transformar a evolução em uma obsessão. Parece contraditório, mas existe um momento em que consumir mais conhecimento deixa de nos fazer crescer e passa apenas a alimentar a ansiedade de estarmos sempre atrasados.

Talvez o problema não seja a quantidade de conteúdo disponível, mas a ordem em que escolhemos aprendê-lo.

Queremos entender estratégias de vendas antes de entender pessoas. Procuramos técnicas de liderança antes de aprender a ouvir. Estudamos inteligência artificial, negociação e produtividade, mas talvez ainda não tenhamos parado vinte minutos para assistir a um vídeo que explique, de forma honesta, o que realmente significa humildade.

Porque é justamente a humildade que nos permite aprender.

É ela que faz um profissional experiente entrar em uma empresa nova disposto a reaprender. É ela que faz alguém perceber que pode aprender tanto com um diretor quanto com o atendente da padaria, com a profissional da limpeza ou com aquele empreendedor que decidiu recomeçar do zero.

O conhecimento técnico tem o seu tempo. O amadurecimento interno também.

E, quase sempre, eles não caminham na mesma velocidade.

Por isso, acredito que não existe um prazo para alguém se tornar um profissional extraordinário. Existe apenas uma decisão que precisa ser renovada todos os dias: continuar aprendendo.

Nem sempre será fácil. Haverá dias em que você vai querer desistir, questionar se todo esse esforço vale a pena ou sentir que está avançando menos do que imaginava. Faz parte do processo.

Talvez a evolução profissional seja justamente isso: não encontrar todas as respostas, mas continuar fazendo as perguntas.

E, quando a ansiedade diminuir, talvez você descubra que o profissional extraordinário que procurava já estava dentro de você.

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Agronegócios
Vanessa Fernandes

Agro Inteligência

Broker, com mais de 20 anos de experiência na condução de processos e negociações com fornecedores e compradores da Agroindústria. É referência no mercado de Óleos Vegetais, com mais de USD 500 milhões em negócios concretizados. Possui domínio de negociações complexas, processos de melhoria contínua, análises de mercados e planejamento de negócios para empresas.

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