LABIRINTO
Todos os dias, sem exceção, três jovens com não mais que quinze anos, ficam sentados no meio-fio em frente da casa deles, Bairro de Lourdes. Todos, celulares à mão, veem o mundo conforme aquele espaço reservado diariamente. Não se sabe o que está ali dentro da caixinha nem no interior dos jovens, mas sabe-se que ao redor o tempo voa, como diz a música de Lulu Santos, “escoa pelas mãos”.
VERDADE
Os versos pertencem à música “Tempos Modernos”, de 1982. A reflexão inicial é a partir da mensagem de esperança, urgência de aproveitar a vida, mas alerta sobre a passagem rápida do tempo. Quem não souber aproveitar para se preparar, poderá ficar pelo caminho ou no meio-fio.
OFICINA
No mesmo Bairro de Lourdes, até início da década de 1990, havia um mecânico de mão-cheia. Zé Galdêncio era alegria só, fanfarrão e amante de carros. Dominava a mecânica dos veículos mais antigos com a perfeição de quem os construiu. Sempre aparecia na oficina do Zé um pai arrastando o filho pelo braço. Pedia ao mecânico experiente que ensinasse o menino uma profissão. “Não precisa pagar nada pra ele, mas ele aprendendo uma profissão como a sua esta bom demais.”
FORTE
Era assim o batido da lata. Depois as leis foram alterando o comportamento familiar, cujo domínio dos próprios rebentos foi se perdendo em vazios que a contemporaneidade trazia a galope sem tempo de se compreender o que estava acontecendo.
AULA
Os programas de governo e as políticas públicas para inserção de jovens no mercado de trabalho ainda não superaram aquele tempo de ordens paternais e de cumprimento ao pé da letra as determinações que a família achava as melhores. Hoje, há programas importantes, como Trilha do Futuro, do governo de Minas Gerais. Mas sobram vagas, há evasão e falta, principalmente, acompanhamento das famílias. Por isso, conforme pesquisa do próprio programa, a fuga das salas de aprendizagem ocorre com insistência.
📌 LEIA TAMBÉM:
França aprova lei que proíbe redes sociais para menores de 15 anos
PUNHO
As escolas convivem com essas incertezas, o que inclui violência, currículos indiferentes ao universo, estruturas precárias. A família, em vários contextos, lava as mãos e deixa a direção das vidas dos filhos à embarcação a espera de um bom porto. Não é assim que a onda se enrola com o mar, até porque a onda pertence ao mar e o oceano pode ficar encapelado ao sabor das mudanças de Lua e tormentas externas. E quem estará preparado para enfrentar esse Mar Revolto, revolucionário?
NÚMEROS
Pesquisa da OCDE de 2024 mostra que 47% dos professores brasileiros disseram que sofrer intimidação ou abuso verbal por alunos era uma fonte relevante de estresse, ante a média de 18% dos cerca de 50 países analisados. O Brasil tem as maiores proporções de docentes que dizem perder muito tempo esperando os alunos se aquietarem (43%) ou por causa de interrupções (44%), enquanto as médias da OCDE são, respectivamente, de 15% e 18%.
POLÍCIA
Casos graves de violência devem ser tratados por meio de investigação policial. Mas a situação mostra que são necessárias ações de prevenção e responsabilização e para que o ambiente em sala de aula se torne mais tranquilo; os pais também precisam atuar no campo disciplinar. É aí que a porca torce o rabo. Há omissão gradativa e cada vez mais jovens você vai encontrar sem nada produzir para transformar a vida deles e do universo.
VOAR
Quando Alberto Santos Dumont testou seu primeiro balão dirigível com motor a gasolina (o Dirigível Nº 1) em setembro de 1898, ele tinha 25 anos de idade. O inventor brasileiro alcançou a fama mundial com o voo histórico do dirigível Nº 6 contornando a Torre Eiffel em 1901, quando estava com 28 anos. Hoje, “o tempo voa, escoa pelas mãos”.








