Representantes da Petrobras e da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis afirmaram que não são responsáveis pelos recentes aumentos no preço da gasolina e do diesel no Brasil.
As declarações foram feitas durante debate na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, realizado nesta terça-feira (14), que discutiu por que os combustíveis estão mais caros e os desafios de equilibrar a livre concorrência com a proteção ao consumidor em um cenário de instabilidade econômica global.
“A Petrobras responde por apenas uma parcela do preço ao consumidor, embora quase sempre essa variação seja atribuída à empresa”, afirmou o gerente de Previsão de Preços da Petrobras, Diogo Bezerra.
Já o presidente da Fecombustíveis, James Thorp Neto, destacou que os postos de combustíveis são o elo mais frágil da cadeia.
“O posto é apenas um reflexo da distribuição. Quando o custo aumenta, o preço também sobe na ponta”, explicou.
A entidade representa cerca de 40 mil postos de combustíveis em todo o país.
Entenda o que faz o preço da gasolina subir
Durante a audiência, especialistas apontaram que a alta dos combustíveis no Brasil está ligada a fatores internacionais, especialmente aos conflitos no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que impactam diretamente o mercado global de petróleo.
Segundo os participantes, o preço da gasolina e do diesel não depende apenas da Petrobras, mas de uma composição complexa.
De acordo com Diogo Bezerra:
- A Petrobras responde por cerca de R$ 1,80 por litro
- O preço médio nacional da gasolina é de R$ 6,77
- O restante inclui:
- tributos federais e estaduais
- mistura de etanol anidro
- margens de distribuição e revenda
James Thorp Neto acrescentou que os postos ainda enfrentam custos variáveis, como:
- preço do etanol
- créditos de descarbonização
Gasolina e diesel tiveram alta recente
Dados apresentados na audiência mostram que os preços subiram após o agravamento do cenário internacional:
- Gasolina: de R$ 6,28 para R$ 6,77
- Diesel: de R$ 6,09 para R$ 7,58
👉 A variação reforça a influência de fatores externos no preço dos combustíveis no Brasil.
Debate aponta soluções para conter alta dos combustíveis
Durante a discussão, parlamentares e especialistas defenderam mudanças estruturais no setor.
O deputado Pedro Uczai (PT-SC) e a diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Ticiana Alvares, destacaram a necessidade de fortalecer a Petrobras e rever privatizações.
“Não queremos resolver o problema apenas no curto prazo. Queremos colocar o país em uma estratégia para evitar novas crises”, afirmou Uczai.
Segundo Ticiana, uma Petrobras menos integrada poderia agravar ainda mais os preços:
“Se a empresa atuasse apenas na exploração, o diesel poderia chegar a R$ 10 em todo o país.”
Governo já adotou medidas para reduzir preço do diesel
O presidente da comissão, Merlong Solano (PT-PI), destacou ações já adotadas pelo governo federal, como:
- redução a zero do PIS/Cofins sobre o diesel
- concessão de subsídios
No entanto, ele alertou que essas medidas têm limite.
“As ações funcionam até certo ponto. É preciso avaliar o que mais ocorre no setor”, disse, defendendo mais transparência e fiscalização.
(Com informações da Agência Estado)










