Não bastasse a derrota na dosimetria, o governo Lula amargou outro revés sem precedentes com a rejeição do nome de Jorge Rodrigo Araújo Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal. Em uma votação secreta no Plenário do Senado, Messias obteve apenas 34 votos favoráveis contra 42 contrários, não alcançando os 41 votos necessários para a aprovação de sua indicação (MSF 7/2026).
Esta é a primeira vez em 132 anos que uma indicação presidencial para o STF é barrada pelo Senado, um fato que remonta a 1894, durante o governo do marechal Floriano Peixoto. A rejeição de Messias, atual Advogado-Geral da União e nome de confiança de Lula, é um forte indicativo da dificuldade do governo em articular e garantir apoio para suas pautas mais sensíveis no Congresso.
A demora do Poder Executivo em enviar formalmente a indicação de Messias ao Senado, apesar do anúncio ter sido feito em novembro de 2025, foi um dos pontos criticados pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A falta de articulação e a incapacidade de angariar os votos necessários para um nome tão estratégico para o governo evidenciam um cenário político desafiador para o Planalto.
As duas derrotas consecutivas no Congresso – a derrubada do veto da dosimetria e a rejeição de Jorge Messias – representam um momento crítico para o governo Lula. Elas não apenas questionam a capacidade de articulação política do Planalto, mas também reforçam o poder e a autonomia do Congresso Nacional em relação ao Executivo.
Analistas políticos apontam que esses episódios podem intensificar a crise de relacionamento entre os Poderes, dificultando a aprovação de futuras propostas e a governabilidade. A oposição, por sua vez, sai fortalecida, demonstrando sua capacidade de união em pautas estratégicas e de impor derrotas ao governo.
O presidente Lula agora se vê diante do desafio de reavaliar sua estratégia de articulação política e buscar novas formas de diálogo e negociação com o Congresso para evitar que novas pautas importantes para sua administração sejam barradas. A indicação de um novo nome para o STF será um teste crucial para a capacidade do governo de superar este momento de instabilidade e reverter a percepção de fragilidade política.
(foto Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)










