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Câmara de BH aprova em 1º turno projeto de combate à Cristofobia com multa de até R$ 9 mil

Representação artística em imagem monocromática de crucificação em manifestação, ilustrando o debate sobre símbolos religiosos e combate à Cristofobia na Câmara de BH.

A Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) deu o primeiro passo na apreciação de uma nova legislação sobre liberdade e intolerância religiosa na capital mineira. O Plenário aprovou, em primeiro turno, o Projeto de Lei 633/2025, de autoria do vereador Irlan Melo (PL), que institui o Programa Municipal de Combate à Cristofobia.

A proposta estabelece sanções administrativas e financeiras para pessoas físicas, jurídicas e organizadores de eventos públicos ou privados que praticarem atos discriminatórios, ataques verbais, escritos ou ofensas a símbolos da fé cristã. Durante a votação plenária, o texto recebeu 31 votos favoráveis, 4 contrários e 4 abstenções.

Sanções financeiras e abrangência da fiscalização

Caso seja definitivamente aprovado e sancionado, o projeto prevê a aplicação de multas administrativas a infratores individuais, empresas, organizadores de festivais, camarotes e blocos de carnaval em Belo Horizonte.

As sanções financeiras propostas no texto seguem os seguintes critérios:

  • Infracção inicial: Aplicação de multa no valor de R$ 4.500,00.
  • Reincidência: O valor da penalidade é dobrado, alcançando R$ 9.000,00.

Além das punições monetárias, o projeto autoriza o Poder Executivo a criar um banco de dados municipal para o monitoramento estatístico de registros de intolerância e a estruturação de canais de denúncia direta. A matéria prevê ainda o desenvolvimento de campanhas educativas e programas de capacitação continuada para servidores das áreas de segurança pública, educação e saúde.

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Panorama da intolerância religiosa em Minas Gerais

O debate em torno da proposta ocorre em meio aos dados divulgados pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. No último levantamento do canal Disque 100, o Brasil contabilizou 2.723 denúncias de intolerância religiosa, das quais 321 foram registradas em Minas Gerais.

Análises do cenário estadual apontam que a maior parte dos registros formais em território mineiro envolve praticantes de religiões de matriz africana — com 225 denúncias ligadas à Umbanda e 159 ao Candomblé, atingindo majoritariamente a população preta e parda.

A pauta da Cristofobia já havia recebido chancela do Legislativo belo-horizontino anteriormente, quando a CMBH promulgou a lei que instituiu o “Dia Municipal de Combate à Cristofobia”, celebrado anualmente no Domingo de Páscoa.

Tramitação regimental e próximos passos na CMBH

A proposta ainda não possui força de lei e precisa cumprir novas etapas na Câmara de Belo Horizonte antes de seguir para o Executivo:

  1. Análise por comissões temáticas: O texto passará pelas Comissões de Legislação e Justiça e de Direitos Humanos, momento em que parlamentares poderão apresentar emendas.
  2. Segunda votação em Plenário: O projeto necessitará de nova aprovação da maioria dos vereadores em segundo turno.
  3. Apreciação pelo Executivo: Se aprovado na segunda votação, a matéria será enviada ao prefeito Álvaro Damião (União Brasil), a quem caberá a decisão de sancionar ou vetar a lei.
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MinasNews
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