Por Benedito Said
BÊNÇÃO
A centenária Cruz da Igrejinha do Rosário, Avenida Coronel Prates, Praça Portugal, voltou ao local de origem. O Cruzeiro, corroído pelo tempo, ameaçava desabar na cabeça dos fiéis e passantes. Retirado que foi, passou por cuidados especiais e agora volta a exibir-se, mirando o Céu, delimitando os cortejos da Festa de Agosto, com seus dançantes, fitas de catopés e marujos.
AVENIDA
A Igreja do Rosário não era assim desse jeito que se apresenta. No passado, quando as famílias tradicionais dominavam a Coronel Prates, misturando-se com Hospital Santa Casa, na parte de baixo, Casa das Irmãs hoje Colégio Imaculada. Havia prédio antigo da Mitra Diocesana, depois ocupado pela prefeitura e biblioteca municipal. Posteriormente, o prédio foi vendido para um supermercado. As pessoas, até a década de 1990, iam à avenida em busca do Picolé Pinguim e buscar manga na casa de dona Lourinha, mãe de Toninho Rebelo, ex-prefeito de mão cheia, casado com Dona Marcolina, que amava aquela região da cidade. Hermes de Paula morava na mesma rua. Historiador, acabou participando a queda da igrejinha antiga, um velho casebre lotado de fé bucólica.
SECA
A Cruz instalada na porta da Igreja do Rosário sempre foi referência para manifestações de fé do povo montes-clarense. Não só pelas Festas de Agosto, mas também para pedir proteção contra as intempéries rotineiras na vida do semiárido. No final da década de 1970, havia uma seca terrível afugentando a vida do norte-mineiro. Procissões eram organizadas naturalmente pelo povo pedindo chuva. Romarias seguiam sempre na direção do Cruzeiro da Avenida Coronel Prates. Missa campal e mulheres, com bilhas e potes na cabeça, derramavam água no pé da Cruz.
TEMPO
Talvez os algoritmos estejam ocupando o intangível de maneira muito veloz. Daqui a pouco, o risco de a fé no Altíssimo, inclusos empirismos modestos ou complicados, perderá mais espaço do que hoje já se sente. As pesquisas comprovam o distanciamento que cresce entre crença em Deus e símbolos religiosos que mantêm o ser humano ainda no campo da espiritualidade.
NÚMEROS
Metade dos adolescentes brasileiros passa mais tempo online do que gostaria. A maioria (71%) acha que a internet precisa mudar, se tornar melhor, mas só uma pequena parte (19%) se sente capaz de fazer algo para que essa mudança aconteça. E 9% acham que seria melhor que a internet deixasse de existir. Os dados fazem parte da pesquisa Adolescência Sem Filtro, divulgada nesta quarta-feira (12), Dia Internacional da Juventude.
VÍCIO
Gira em torno dos 40% o número dos que se sentem mais dependentes do celular e da internet do que se sentiam há dois anos, acham que perderam a qualidade do sono e tempo de estudo e têm medo de golpes ou fraudes. O tempo diário de uso da internet é elevado, passando de 3 horas para quase 80% dos adolescentes, sendo que mais de 22% estão online de 5 a 6 horas, quase 11% de 7 a 8, e 15% ultrapassam 8 horas.
FELIZ
A pesquisa mostra sintomas dos tempos diferentes daquele em que se levava potes de água para molhar o Cruzeiro e pedir chuvas aos céus. A conexão é outra. Conforme o levantamento, as sensações durante o uso do celular variam entre positivas e negativas. A diversão é sentida muitas vezes ou sempre por 71%, e a felicidade, por 63%; já o cansaço, por 27%, a raiva, 23%, e a ansiedade, 22%.
















