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Da Escuridão à Autonomia: Como a Reabilitação da APAE e a Herança de Louis Braille Resgatam Vidas em Montes Claros

Mãos de uma pessoa com deficiência visual lendo um texto em Braille com os dedos.

Por Benedito Said

AJUDA

A APAE em Montes Claros é habilitada pelo Ministério da Saúde como Centro Especializado em Reabilitação. Atende pessoas com baixa visão ou quadro de cegueira da cidade e região. Há 500 pacientes em atendimento, com consultas que chegam a 2.446 (média) por mês.

É um marco principalmente pelo valor inclusivo e elevação da autoestima de pessoas com essa deficiência. Muitos estão sendo chamado a entrar em cena, mas há aqueles que vivem ainda à margem da existência social e econômica.

BENGALA

O foco principal do Centro Especializado em Reabilitação para pessoas com baixa visão ou cegueira não está na cura da doença ocular, mas na reabilitação, o que gera independência no dia a dia, melhor qualidade de vida e inclusão social.

É o que explica Telma Maria Nascimento Almeida, responsável técnica pelo setor de fisioterapia do Centro. Além do trabalho de reabilitação, as pessoas recebem suportes, como bengalas ou prótese ocular. Há plano terapêutico personalizado, com metas específicas para favorecer o desenvolvimento da autonomia e da funcionalidade.

MÚLTI

O serviço do Centro Especializado em Reabilitação reúne profissionais de diferentes áreas, entre oftalmologistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, pedagogos, psicólogos e assistentes sociais. Trabalho integral, persistente e humanizado.

ACORDAR

Apesar da existência de serviço tão nobre, ainda existe desconhecimento dessa oferta para quem precisa. O primeiro passo é dado pela própria pessoa com cegueira.

A família ajuda muito. Indo ao posto de saúde, após avaliação do médico clínico, há encaminhamento da própria Secretaria Municipal de Saúde para o Centro Especializado. Há ainda quem viva no mundo da exclusão.

AÇÃO

Deve ser visitada a história de Louis Braille. Enfrentamento, dores, persistência e reconhecimento tardio. Louis Braille nasceu na França em 1809 e perdeu a visão na infância após um acidente. Aos três anos, ajudava o pai na oficina em que couro era manuseado. Feriu um dos olhos e o mal se alastrou. Aos 15 anos, ele criou revolucionário sistema de leitura e escrita por pontos em relevo tocados com os dedos, transformando a educação e a inclusão de pessoas cegas em todo o mundo.

ESTRADA

Louis Braille recebeu apoio da igreja católica e foi ser tratado em Paris. Aos 10 anos, entrou no Instituto Real de Jovens Cegos de Paris. Iria aprender a ler.

O método da época usava letras comuns impressas em alto relevo, que eram pesadas, lentas e difíceis de ler. Braille teve oportunidade de conhecer a “escrita noturna” militar do capitão Charles Barbier, baseada em pontos e traços em relevo, para comunicação no escuro.

A partir daí construiu a leitura hoje batizada com o nome dele.

TEMPOS

Hoje, com tanta tecnologia, muitos desconhecem a história anterior. O alicerce feito com alma de antepassados. Braille foi subindo as escadas da existência com muita dedicação, esforço. Tornou-se professor no instituto onde estudou.

Sofreu resistência de professores tradicionais e o sistema demorou a ser aceito oficialmente.

Faleceu jovem, em 6 de janeiro de 1852, aos 43 anos, vítima de tuberculose, antes de ver o sucesso global de sua criação. O método foi oficializado na França em 1854 e expandiu-se internacionalmente, chegando ao Brasil no mesmo ano.

LAÇO

Hoje, há poucos no território da invenção.

Crianças têm como cordão umbilical o cabo do carregador de celular.

Perdem-se pelo caminho, sem alma criativa, até por falta de conectividade com a vida profunda, sem exercício que potencializa a imaginação, o inconsciente que leva à consciência.

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Opinião
Benedito Said

Detalhes

Benedito Said é jornalista e radialista desde 1973. Dono de um estilo próprio, é comunicador respeitável, mantendo público cativo em seu programa Comando das Sete, na Rádio Educadora. Foi vereador, presidente da Câmara Municipal de Montes Claros e Secretário Municipal da Educação. É professor. Toda essa experiência confere a ele conhecimento, experiência e o domínio de um texto que mistura temas relevantes com humor refinado e rara ironia.

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