Imagine que você precisa de uma cirurgia complexa no coração. Você entregaria a sua vida nas mãos de alguém muito simpático, que fala bem, que sorri para todos, mas que nunca estudou medicina? A resposta óbvia é não. No entanto, a cada eleição, milhões de pessoas entregam o futuro de suas cidades, do seu estado e do seu país nas mãos de candidatos simpáticos que não fazem a menor ideia de como o Estado funciona.
Nós precisamos conversar seriamente sobre o que faz um político. Governadores, prefeitos e o presidente formam o Poder Executivo. O papel deles não é fazer discursos inflamados. O papel deles é administrar o orçamento, gerir a máquina pública, planejar obras, garantir segurança e aplicar políticas públicas com base em dados reais. Eles são os gerentes do nosso dinheiro.
Deputados estaduais, federais e senadores formam o Poder Legislativo. O papel deles não é asfaltar ruas ou construir hospitais. O papel deles é criar leis justas, fiscalizar cada centavo que o Executivo gasta e aprovar o orçamento. Quando um candidato a deputado promete construir uma ponte na sua cidade, ele está mentindo ou demonstrando profunda ignorância sobre o cargo que deseja ocupar.
O populismo é a doença mais grave da nossa política. O populista é aquele candidato que oferece soluções fáceis e mágicas para problemas complexos. Ele divide o mundo entre nós e eles. Ele grita, aponta dedos, cria inimigos imaginários e promete que, se for eleito, tudo será resolvido rapidamente. A história já nos provou, repetidas vezes, que o populismo sempre termina em pobreza, corrupção e frustração.
Como identificar um candidato preparado? É simples. Pergunte a ele sobre o “como”. Se ele diz que vai melhorar a saúde, pergunte de onde sairá o recurso. Se ele diz que vai gerar empregos, pergunte qual é a estratégia tributária para atrair empresas. O candidato sério responde com método, números e realidade. O aventureiro responde com frases de efeito.
O seu voto é a procuração mais poderosa que você assina na vida. Não entregue essa procuração para quem usa a política como palco de vaidades. Entregue para quem tem técnica, histórico de trabalho, caráter e respeito pelo peso da cadeira que vai ocupar. O Brasil não precisa de salvadores. Precisa de gestores competentes.
Dr. André Oliveira
*Advogado, Administrador, Escritor
Pós Graduado em Gestão de Crises; Mediação, Conciliação e Arbitragem
jurista.andreoliveira@gmail.com






