Há alguns dias publiquei o artigo “Puxadinho do Prefeito”, baseado nas denúncias apresentadas pelo vereador Igor Dias, nas quais foram mencionadas indicações e contratações por motivação política com apoio do Poder Executivo.
O assunto repercutiu amplamente e, logo em seguida, começaram a circular nas redes sociais informações de que o Ministério Público teria notificado a Prefeitura para dispensar servidores contratados, muitos deles supostamente por indicação política, estabelecendo prazo até 31 de julho.
Caso essa informação seja verdadeira, surge uma pergunta inevitável: quantos contratados seriam desligados e baseado em quais critérios?
Durante esta semana estive em uma repartição da Prefeitura e observei que todos os servidores daquele setor eram efetivos ou concursados.
Buscando novos dados – já que a imprensa local pouco tem abordado esse tema – consultei o Portal da Transparência da Prefeitura em busca de esclarecimentos.
📊 Radiografia da Folha de Pagamento Municipal
A surpresa foi significativa. A folha de pagamento referente ao mês de junho de 2026 registra 7.162 servidores contratados, representando uma despesa mensal de R$ 26.582.080,11.
Além disso, constam:
- 511 cargos comissionados, com gasto mensal de R$ 3.319.659,32;
- 29 agentes políticos, com despesa mensal de R$ 524.931,28;
- 2.531 servidores concursados, com gasto de R$ 12.519.689,32;
- 2.791 servidores efetivos, cuja folha mensalmente totaliza R$ 18.336.499,97.
A mesma folha registra ainda 230 rescisões contratuais no mês de junho.
É importante lembrar que, além dos salários, incidem encargos previdenciários e demais obrigações trabalhistas, o que ode elevar o custo total da folha em aproximadamente 35%.
Analisando esses números, verifica-se que o quadro permanente da Prefeitura é composto por 2.791 servidores efetivos e 2.531 concursados, totalizando 5.322 servidores.
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🏛️ Concurso Público vs. Contratações Temporárias
É evidente que alguém poderá argumentar que, para garantir o funcionamento adequado dos serviços públicos, o Município necessita de mais profissionais. Se essa for realmente a necessidade, o caminho mais adequado é o previsto na legislação: a realização de concurso público para ampliar o quadro permanente. Quando isso não ocorre, fica a dúvida sobre a dimensão do número de contratações temporárias.
Também é importante recordar que esse cenário não surgiu agora. Trata-se de situação que, segundo a vereadora Maria Helena Lopes deixou escapar ao confrontar o colega Igor Dias, em sessão da Câmara Municipal, gravada em vídeo, teria origem em práticas de indicações políticas ocorridas ainda na administração passada.
Como a folha de junho registra apenas 230 rescisões, resta a expectativa de verificar quantos desligamentos aparecerão na folha referente ao mês de julho.
Se houver, de fato, uma demissão em larga escala de contratados, o Município poderá enfrentar um problema social de grandes proporções, diante da quantidade de famílias afetadas.
💡 Capacitação Profissional e Gestão do Dinheiro Público
Nesse contexto, recordei que a Câmara Municipal possui um setor denominado Escola do Legislativo (ou equivalente, conforme sua denominação oficial). Caso sua finalidade seja a capacitação, poderia desenvolver um programa de qualificação e recolocação profissional destinado aos servidores desligados.
Da mesma forma, seria oportuno que vereadores e servidores participassem de cursos de gestão pública, como aqueles oferecidos no âmbito da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, em parceria com o SEBRAE, abordando temas como licitações, transparência pública, gestão administrativa e utilização adequada do Portal da Transparência do Município.
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❓ Reflexões Sobre o Futuro de Montes Claros
Os números apresentados chamam a atenção tanto pela quantidade de pessoas envolvidas quanto pelos elevados valores movimentados mensalmente.
Resta uma última reflexão: qual será o impacto político e social de eventuais demissões em massa sobre a população e sobre o processo eleitoral deste ano?
Mais do que uma questão eleitoral, trata-se de uma discussão sobre a gestão dos recursos públicos, a forma de contratação de servidores e a eficiência da administração municipal.
É esse o modelo de gestão pública de que Montes Claros necessita?
ACORDA, MONTES CLAROS!








