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O ELEITOR NÃO É BOBO!

Urna eletrônica em seção eleitoral com eleitor ao fundo prestes a votar, ilustrando a escolha consciente do eleitorado.

Por Luciano Meira

Com o início do período eleitoral, reaparece uma velha cena da política brasileira. Candidatos que permaneceram distantes durante grande parte do mandato voltam às ruas, intensificam visitas aos bairros, promovem reuniões e mobilizam seus cabos eleitorais em busca do voto da população.

Ao mesmo tempo, a máquina pública passa a funcionar em ritmo acelerado. Obras são anunciadas, inaugurações se multiplicam e cresce a percepção de que a estrutura administrativa é utilizada para fortalecer candidaturas alinhadas ao governo de plantão.

O uso da máquina pública e a memória do eleitorado

Recentemente, o vice-prefeito Otávio Rocha participou da apresentação pública de uma candidata, destacando suas qualidades e seu trabalho. No entanto, a trajetória do vice ainda desperta críticas por parte de diversos setores da sociedade. Durante a pandemia, quando exercia a função de Procurador-Geral do Município, Otávio Rocha esteve à frente de decretos que determinaram o fechamento de diversas atividades econômicas. No período posterior, a Procuradoria intensificou a cobrança judicial de débitos municipais e promoveu o protesto de diversas dívidas em cartório, inclusive de processos que já estavam em execução. Para muitos pequenos empresários, essas medidas dificultaram o acesso ao crédito e agravaram a situação financeira de empresas que ainda buscavam se recuperar dos impactos da crise sanitária.

A Prefeitura de Montes Claros possui um quadro superior a seis mil servidores efetivos. Grande parte desses profissionais convive há anos com salários defasados e aguarda a implementação de um Plano de Cargos e Salários que permanece como promessa. Em contraste, os cargos comissionados, de livre nomeação política, continuam sendo alvo de debates. Estima-se que já tenham ultrapassado a marca de novecentos cargos, alimentando críticas sobre o crescimento da estrutura administrativa.

Esse modelo fortalece uma ampla rede de indicações políticas, distribuídas entre grupos e vereadores, transformando a máquina pública em importante instrumento de articulação eleitoral.

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Pequenas concessões e o esquecimento dos projetos estruturantes

Enquanto isso, parte dos eleitores recebe benefícios pontuais, favores ou pequenas concessões que acabam atendendo apenas grupos específicos. Da mesma forma, muitas emendas parlamentares contemplam demandas restritas, sem produzir impactos significativos para o conjunto da população.

Mas, afinal, o que realmente interessa à população?

Essa deveria ser a principal pergunta na agenda dos representantes políticos. A cidade necessita de projetos estruturantes, capazes de promover desenvolvimento econômico, geração de empregos e melhoria da qualidade de vida.

Um exemplo é o projeto de criação da Região Metropolitana de Montes Claros, que permanece arquivado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. A situação causa estranheza, considerando que a região conta com forte representação política, incluindo o presidente da Assembleia, além de deputados estaduais e federais com base eleitoral no município. A falta de avanço nesse projeto desperta questionamentos sobre as prioridades da classe política.

Outro exemplo é o polo farmacêutico, que vive um momento de expansão e demanda mão de obra qualificada. Entretanto, a antiga Escola Técnica, que durante décadas contribuiu para a formação de profissionais da indústria local, foi desativada por problemas administrativos e nunca mais reaberta. O prédio passou a ser utilizado como base de apoio da Guarda Municipal, enquanto permanecem dúvidas sobre o destino dos equipamentos e laboratórios que pertenciam à instituição.

O recado silencioso das urnas em Montes Claros

A sabedoria popular costuma observar em silêncio. E, muitas vezes, responde nas urnas.

Dos aproximadamente 290 mil eleitores aptos a votar em Montes Claros, cerca de 220 mil compareceram às urnas na última eleição. Entre votos brancos, nulos e abstenções, dezenas de milhares de eleitores demonstraram insatisfação ou optaram por não apoiar nenhuma candidatura. Independentemente das razões individuais, esses números revelam que existe uma parcela significativa da população que não se sente representada pela política local, na última eleição 75.000 eleitores rejeitaram as candidaturas apresentadas.

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O julgamento consciente e o futuro da cidade

Diante desse cenário, não basta repetir o discurso de que é preciso votar apenas no “candidato da terra”. O eleitor está cada vez mais informado, acompanha as ações dos gestores, compara promessas com resultados e forma seu próprio julgamento.

O voto é uma escolha consciente, construída ao longo dos anos, e não apenas durante o período eleitoral.

Por isso, vale a reflexão:

O eleitor não é bobo.

E você, eleitor, em que projeto de cidade acredita?

Acorda, Montes Claros!

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Opinião
Luciano Meira

O Outro Lado da Moeda

Diretor e consultor de negócios com ampla visão estratégica, voltado para o desenvolvimento de processos produtivos, gestão empresarial e inovação. Reconhecido pela capacidade de identificar oportunidades, otimizar operações e implementar soluções que agregam valor ao mercado.

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