Na última semana, durante uma reunião ordinária da Câmara Municipal de Montes Claros, um vereador denunciou a existência do que chamou de “Puxadinho” do Prefeito, uma estrutura política utilizada para acomodar vereadores por meio de indicações e favores.
A expressão chamou a atenção porque retrata, de forma simbólica, o silêncio que predominou na Câmara Municipal nos últimos dez anos. Afinal, será que Montes Claros passou todo esse período sem problemas que justificassem uma fiscalização mais rigorosa por parte dos seus representantes? Ou será que a função constitucional de fiscalizar o Poder Executivo foi substituída pela conveniência política?
A revelação dos bastidores e a troca de favores
Durante o debate, um vereador e uma vereadora da base do atual prefeito — ambos com diversas reivindicações atendidas pelo Executivo – questionaram o autor da denúncia, perguntando por que ele não havia reclamado das mesmas práticas no mandato anterior e apenas agora fazia esse tipo de acusação.
Entretanto, ao fazer esse questionamento, acabou-se revelando algo ainda mais preocupante: a própria existência de uma relação de troca de favores entre Executivo e Legislativo. Em determinado momento, a vereadora chegou a desafiar o vereador denunciante a apresentar fatos concretos que demonstrassem favorecimentos ao poder público.
Pois bem. Fatos não faltam. Basta que a Câmara Municipal cumpra seu verdadeiro papel fiscalizador.
As perguntas que a Prefeitura e a Câmara precisam responder
Algumas perguntas continuam sem resposta:
- O Orçamento Anual do Município está sendo executado exatamente conforme aprovado pela Câmara, respeitando todas as rubricas previstas na Lei Orçamentária?
- O Poder Executivo continua utilizando um caixa único para movimentar recursos de diferentes fontes, prática muito questionada em administrações anteriores e frequentemente comparada às chamadas “pedaladas fiscais”?
- Os processos licitatórios estão obedecendo à Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, garantindo condições para que empresas locais possam disputar, de forma efetiva, pelo menos 25% das compras governamentais?
- Como justificar que um simples campo de futebol, hoje denominado Estádio João Botelho, cuja estrutura principal já está praticamente concluída, seja objeto do Edital nº 20.474/2026, de 22 de junho de 2026, prevendo investimento superior a R$ 6,3 milhões? E, seguindo uma prática recorrente em diversas obras públicas, haverá posteriormente um aditivo contratual que poderá elevar o custo em até 30%?
- Enquanto milhões são destinados a esse empreendimento, por que o futebol de base, os campeonatos de bairros, os campos de várzea e o esporte amador continuam abandonados e sem qualquer apoio efetivo?
- O elevado número de aditivos contratuais em diversas licitações — especialmente nas obras de pavimentação asfáltica — decorre apenas de falhas de planejamento e de elaboração das planilhas ou existe outra explicação que ainda precisa ser esclarecida?
- A Lei nº 6.013, de 16 de julho de 2026, autorizou o repasse de R$ 1,2 milhão à Associação Esportiva e Social do Brasil (AEES), destinado ao apoio da equipe adulta masculina de voleibol. Embora o incentivo ao esporte seja importante, não seria mais democrático investir parte desses recursos nas mais de 120 quadras esportivas existentes nos bairros e escolas do município, muitas delas abandonadas há mais de uma década?
O resgate da independência do legislativo local
Montes Claros já realizou grandes competições populares, como a OLIBAMOC, a Olimpíada Operária e a Olimpíada Estudantil, iniciativas que movimentavam milhares de jovens, fortaleciam o esporte de base e promoviam inclusão social. Hoje, infelizmente, muitas dessas estruturas permanecem fechadas, deterioradas ou simplesmente esquecidas.
A população elege vereadores para defender o interesse público
Poderíamos citar inúmeros outros casos que merecem investigação e fiscalização. Não faltam denúncias, obras questionáveis, prioridades discutíveis e situações que exigem transparência.
O que falta é uma Câmara Municipal que exerça plenamente sua missão constitucional de fiscalizar o Poder Executivo, deixando de lado o fisiologismo político, as trocas de favores e os interesses pessoais que tanto prejudicam o desenvolvimento de Montes Claros.
A população não elege vereadores para defender governos. Elege para defender o interesse público.
Montes Claros precisa de uma Câmara independente, atuante e comprometida com a fiscalização.
Acorda, Montes Claros!
MAIS DE LUCIANO MEIRA: ESTÃO DESTRUINDO A NOSSA HISTÓRIA!





















