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Operadores de telemarketing cobram na Câmara dos Deputados a regulamentação da profissão

Em audiência na Câmara dos Deputados, operadores de telemarketing cobram regulamentação da profissão e denunciam rotina de abusos e adoecimento no setor.

Audiência pública expõe precarização do setor de operadores de telemarketing, que afeta cerca de 1,5 milhão de profissionais; empresas alertam para risco de robotização.

Brasília — Representantes de operários e sindicatos do setor de telemarketing apresentaram denúncias de violações trabalhistas e defenderam a urgência de uma legislação específica para a categoria em audiência pública realizada nesta semana na Câmara dos Deputados. A principal queixa é a forte resistência empresarial em avançar com as propostas de regulamentação da atividade.

De acordo com lideranças sindicais, as condições de trabalho precárias atingem aproximadamente 1,5 milhão de teleoperadores em todo o país. Relatos apontam que a rotina de metas severas e pressões cotidianas tem gerado um quadro crônico de adoecimento mental e desgaste físico na categoria, demandando uma atuação mais firme do poder público para assegurar garantias básicas.

Fiscalização e rotina severa

Inspeções conduzidas pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte mapearam um cenário crítico. O relatório técnico consolidado constatou a ausência de equipamentos adequados, cobrança de metas abusivas, alta dependência de terceirização e baixo valor pago em benefícios de alimentação.

A apuração também formalizou queixas severas de assédio moral, restrição de tempo para uso de banheiros e uma incidência alarmante de distúrbios de saúde, incluindo síndrome do pânico, burnout e perdas auditivas precoces. Dirigentes do setor reforçam que as regras vigentes tornaram-se obsoletas frente ao rápido avanço tecnológico, deixando os funcionários vulneráveis à rápida depreciação de sua saúde e vida pessoal.

As propostas e o contraponto empresarial

Para reestruturar a atividade, os profissionais reivindicam uma pauta que engloba cinco eixos principais:

  • Criação de um piso salarial de abrangência nacional;
  • Fixação da jornada de atendimento em 6 horas diárias;
  • Escala de trabalho organizada no modelo 5×2;
  • Definição de parâmetros rígidos de proteção à saúde coletiva;
  • Pagamento de adicionais de insalubridade e penosidade.

Por outro lado, representantes das empresas de tecnologia e infraestrutura de telecomunicações emitiram um alerta sobre os impactos da medida. Segundo a representação patronal, regras excessivamente rígidas correm o risco de acelerar o processo de robotização do atendimento, o que resultaria no fechamento em massa de postos de trabalho em um setor de forte relevância social.

Perfil do setor e próximos passos

Métricas oficiais da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) indicam a existência de 407 mil profissionais ativos na função. O perfil demográfico é majoritariamente composto por mulheres (67%) e pessoas negras (61%), com média de idade fixada entre 31 e 33 anos e faixas salariais médias que variam de R$ 1.685 a R$ 1.897.

A proposta que tramita no parlamento para regulamentar a área está sob análise técnica das comissões ordinárias. Como desdobramento do debate, também foram propostas ações paralelas, tais como a criação de um observatório nacional de monitoramento sobre a saúde dos atendentes, a intensificação das vistorias trabalhistas e a abertura de uma mesa de diálogo permanente entre os trabalhadores, o empresariado e representantes do governo para alinhar melhorias e buscar consensos.

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MinasNews
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