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FIM DE UMA ERA: Privatização da Copasa é concluída em operação de R$ 8,4 bilhões

Governador de Minas Gerais, Mateus Simões, e executivos do Grupo Equatorial sorrindo e batendo o martelo no tradicional toque de sino da bolsa de valores B3 em São Paulo.

Grupo Equatorial assume o controle do saneamento em Minas Gerais; governo estadual mantém apenas 5% das ações, mas preserva poder de veto com ‘golden share’.

SÃO PAULO – O processo de privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) foi oficialmente concluído na bolsa de valores brasileira, a B3, em São Paulo. A tradicional cerimônia do toque de sino marcou a transferência definitiva dos papéis aos novos compradores e o repasse bilionário dos valores ao Estado, consolidando uma das maiores desestatizações do setor de infraestrutura e saneamento do país.

A operação movimentou a venda de 171.113.881 ações da estatal ao preço unitário de R$ 49,03, o que vai garantir a entrada de aproximadamente R$ 8,38 bilhões nos cofres públicos mineiros. Com o fechamento do negócio, a presença do governo estadual no capital da companhia encolheu drasticamente: o Estado, que antes controlava 50,03% das ações ordinárias, agora passa a deter uma participação de apenas 5,03%.

Como Ficou a Divisão do Controle Acionário?

O grande protagonista da compra foi o Grupo Equatorial — que já atua como investidor de referência da Sabesp em São Paulo. A empresa arrematou 30% do capital total da Copasa (o equivalente a 114.075.921 ações), desembolsando R$ 5,59 bilhões para assumir a gestão operacional da companhia.

O restante das ações ficou distribuído da seguinte forma:

  • Perfin (fundo de investimentos): Elevou sua participação histórica para 20,11%.
  • Investidores Institucionais (Fundos e Grandes Bancos): Ficaram com 10,5%.
  • Investidores de Varejo (Pessoas Físicas): Absorveram 4,5% do capital.

Apesar de abrir mão do controle majoritário, o Governo de Minas Gerais acionou um mecanismo de segurança jurídica conhecido como golden share (ação de classe especial). Essa ação única garante ao Executivo mineiro o direito de veto em decisões extremas e altamente estratégicas, impedindo, por exemplo, que a sede da empresa seja retirada do estado ou que o nome “Copasa” seja alterado sem o consentimento público.

O Destino do Dinheiro e as Metas de Água na Torneira

A venda da companhia foi chancelada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) no final do ano passado e sancionada pelo ex-governador Romeu Zema. Por determinação legal, a dinheirama que entra agora no caixa do Estado tem destino carimbado: será obrigatoriamente vinculada à amortização da dívida bilionária de Minas com a União, por meio do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), além do custeio de um fundo estadual voltado especificamente para ações de saneamento básico.

Presente na solenidade em São Paulo, o governador Mateus Simões (PSD) defendeu que a privatização era o único caminho viável para acelerar os investimentos e cumprir as metas de universalização exigidas pelo Marco Legal do Saneamento.

"O mineiro quer uma coisa que parece muito simples: água limpa chegando na torneira, esgoto coletado e tratado, atendimento que resolva e obra que comece e termine. Para isso nós precisamos acelerar, porque a necessidade das famílias mineiras não pode esperar a nossa capacidade estatal de investimento." — Mateus Simões, governador de Minas Gerais.

O CEO da Equatorial, Augusto Miranda da Paz Júnior, endossou o discurso afirmando que o foco da nova governança privada será a modernização operacional e o ganho de eficiência a longo prazo.

O que o Mercado Espera da “Nova Copasa”?

Analistas financeiros receberam a conclusão do negócio com otimismo, apontando a Equatorial como uma das gestoras de concessões públicas mais eficientes do país. De acordo com especialistas do mercado, o principal desafio do grupo privado será reestruturar a operação para cortar desperdícios e despesas corporativas redundantes.

A projeção de mercado indica a necessidade de um plano de investimentos robusto na casa dos R$ 20 bilhões nos próximos cinco anos. O montante será destinado a expandir as redes de tubulação e tratamento de efluentes em mais de 600 municípios mineiros atendidos pela companhia, correndo contra o relógio para elevar o índice de cobertura de esgoto para 90% até o ano de 2033.

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MinasNews
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