GUERRA
Caberá à Polícia Civil investigar e indiciar aqueles que soltavam papagaios ou pipas, utilizando linhas com cerol, e mataram a professora Cláudia Morais, no Residencial Minas Gerais. Crime que não pode ficar impune. Antes brincadeira de crianças, hoje adolescentes e até adultos transformaram o entretenimento em agressão, assumindo riscos de até matar, como foi nesse caso, ao utilizar linhas chilenas ou revestidas com cacos de vidros ao levantar suas asas de papel.
TEORIA
Existem leis e normas para punir quem solta pipas com linhas cortantes. Mas existência de leis não é indicativo para deter o crime. Vejam quantos políticos já condenados que continuam à solta e exercendo com invejável decoro suas funções, mesmo com dinheiro na cueca ou apartamentos. Combater as pipas com linhas cortantes através da conscientização e também da punição pode ocorrer. No entanto, é apenas um detalhe de uma sociedade decadente em que os bons ficam em silêncio.
NORMA
A famosa e bem-humorada “Constituição de Capistrano de Abreu” é uma crítica irônica atribuída ao célebre historiador brasileiro Capistrano de Abreu. Segundo a tradição, ele defendia que a Carta Constitucional do Brasil deveria conter apenas dois artigos: Art. 1º – Todo brasileiro é obrigado a ter vergonha na cara. Art. 2º – Revogam-se as dispositions em contrário. A anedota sintetiza uma crítica à necessidade excessiva de leis e à burocracia em um país onde, na visão do historiador, o respeito, a ética e a dignidade cívica deveriam prevalecer.
ESPELHO
Desfaçatez é um substantivo feminino que significa a ausência de vergonha, de pudor ou de respeito. É um comportamento marcado pelo atrevimento, descaramento ou cinismo, onde a pessoa age ou fala sem qualquer recato ou constrangimento. Pois bem. O Brasil tem personagens, principalmente na vida política, que se vestem tranquilamente com o manto da desfaçatez. O tempo, coberto de esquecimento, favorece que a vida siga normalmente, como se nada tivesse acontecido.
EXEMPLO
Uma semana após afastar o senador Jaques Wagner (PT-BA) do cargo de líder do governo no Senado, o presidente Lula (PT) desembarca na Bahia ontem para uma maratona de iniciações. Foi o primeiro ato público do presidente ao lado do aliado e amigo de mais de quatro décadas, que foi alvo de operação da Polícia Federal por suspeita de ter recebido pagamentos ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. Tudo deveria seguir o ritual da normalidade entre os dois durante os eventos.
PALCO
Segundo publicação do jornal Folha de São Paulo, um aliado de Lula afirma que “deverá prevalecer nele o sentimento de amizade entre os dois”. Segundo relatos, na conversa em que foi selada a destituição de Wagner da liderança, o presidente manifestou confiança em sua inocência, ressaltando a necessidade de comprová-la.
IGUAL
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), defendeu o senador Jaques Wagner (PT-BA), criticou a “criminalização da política” e afirmou que a advocacia da Casa pedirá ao STF (Supremo Tribunal Federal) para ingressar como parte no processo para defender o petista. Antes, os dois viviam em rusgas.
PLANO
Tudo se acerta antes das eleições que se aproximam. Os Bolsonaros já conseguiram com as próprias mãos se enforcarem num emaranhado de fofocas, intrigas, passado e o antipetismo agradece. Nos estados, há um afastamento das alianças com o presidenciavel Flávio Bolsonaro. Hoje, a sensação é a de que o presidente Lula ganha a eleição com as mãos nas costas.








