Por Márcio Antunes
Recentemente, assisti ao jornalista Cláudio Dantas fazer, em seu canal no YouTube, um comentário focado em desconstruir a imagem do pré-candidato ao governo de Minas, Cleitinho, um “verdureiro”.
Me decepcionei com o Dantas, profissional a quem concedia algum crédito, pois percebi que ele falava por encomenda. Tive a nítida impressão de que ele estava recebendo para emitir uma opinião a serviço de alguém.
Essas escaramuças opinativas, venham de onde vierem, chegaram a um ponto de exaustão em que argumentos válidos foram sobrepujados por agressões e por um estilo desprovido de inteligência, focado em audiência e monetização. Esse tipo de conteúdo é dirigido a parcelas da população que se acostumaram a aceitar como verdade pronta tudo o que coincide com o que defendem, sem qualquer questionamento crítico. Bater em Lula agrada aos seguidores de Bolsonaro; detonar o bolsonarismo encanta quem tem Lula como pai.
Dantas, para continuar meu raciocínio, ofendeu todos os trabalhadores que plantam, cuidam, colhem e embalam verduras em suas hortas. Atacou a cadeia logística dos que transportam e oferecem esses produtos nos entrepostos de venda. Foi um desdém gratuito e infeliz que atinge a mesa de quem consome verduras – o que, certamente, atinge a ele próprio.
Também – a exemplo do ministro Gilmar Mendes, que ofendeu os mineiros ao desdenhar do sotaque do ex-governador Zema – Dantas foi infeliz ao dizer que a conversa mansa do mineiro é boa para enganar. Quem está querendo enganar a quem?
A polarização entre dois espectros políticos a que se assiste hoje no Brasil não contribui em nada para a Nação.
O que precisamos é de lideranças que estimulem uma discussão diferente, uma polarização necessária, construída sobre o estímulo ao raciocínio crítico dos brasileiros: o que é bom e o que é ruim para o Brasil.
O que gera, efetivamente, o fim das desigualdades sociais? O que permitiria que, como está na letra da Lei Maior, todo cidadão seja igual em termos de direitos e acesso à saúde, educação, segurança e outros cuidados básicos?
Muitos vão dizer que essa é uma tarefa impossível pois parcela expressiva da população deixou de ser estimulada a pensar e a questionar com inteligência. Esse é um bom ponto de partida: não para atacar a quem quer que seja, mas para apontar soluções e propor formas práticas e exequíveis de corrigir nossa realidade.














