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Brasil despenca e China dispara no ranking mundial de universidades

A coluna aborda dois fenômenos que avançam silenciosamente no Brasil: o envelhecimento acelerado da população e a perda de protagonismo das universidades brasileiras nos rankings internacionais. Entre a falta de estrutura familiar para acolher idosos e a redução dos investimentos em pesquisa e ciência, o texto provoca reflexão sobre prioridades sociais, educação e futuro.

IDOSO

Montes Claros, segundo último censo do IBGE, tem exatos 50 idosos com mais de 100 anos. Mas há outros 179 com idade entre 95 e 99 anos. Há 514 idosos com idades que variam de 90 a 94 anos. Estima-se que a população idosa de Montes Claros (MG), composta por pessoas com 60 anos ou mais, esteja em torno de 44 mil habitantes. Esse número representa cerca de 9,2% a 10% da população total do município. As mulheres se mostram mais longevas segundo a pesquisa.


CUIDADO

Mas uma pergunta brota no seio da sociedade chamada moderna: quem cuida dos idosos. As famílias são hoje atomizadas, divididas em partes tão pequenas, desmembradas, que vão perdendo a sua noção de conjunto ou unidade original.


LUGAR

Seguindo o pensamento de Luiz Felipe Pondé, o fato sociológico intransponível é que essa família que cuida de idosos quase não existe mais. Não há lugar nem dinheiro para as famílias atomizadas cuidarem dos seus idosos, o que não implica que eles não o mereçam. As mulheres que sempre arcaram, na maioria dos casos, com a lida cotidiana dos idosos, estão em outra. Como filhas da modernização, elas querem liberdade, carreiras, estudos, viagens, enfim, querem ser felizes. E quem em sã consciência pode lhes tirar a razão? Não há lugar para os idosos, e, cada vez menos, para crianças.


APOIO

A discussão não existe para políticas públicas municipais em favor dos idosos. Montes Claros anda de muletas ao não se aprofundar em tema tão aflitivo. Vai piorar.


QUEDA

45 das 52 universidades brasileiras que integram o ranking das melhores no mundo caíram de posição no ranking de 2026, de acordo com dados divulgados segunda-feira (primeiro de junho) pelo Centro para Rankings Universitários Mundiais (CWUR). A queda generalizada, que atingiu 87% das instituições brasileiras, é atribuída principalmente à queda no desempenho em pesquisa e à crescente competição global com instituições mais bem financiadas.


FINAL

A edição de 2026 indica um cenário nacional preocupante: apenas cinco universidades brasileiras subiram de posição, enquanto duas mantiveram seus postos e 44 tiveram queda especificamente no indicador de pesquisa.

ANÁLISE

“O declínio das universidades brasileiras reflete anos de financiamento inadequado e a desvalorização da ciência e da educação como bens públicos”, avalia o Dr. Nadim Mahassen, presidente do CWUR. Segundo ele, a erosão do sistema de ensino superior prejudica o desenvolvimento científico, a inovação e o futuro a longo prazo do país.


INVESTIR

O grande destaque positivo é a China, impulsionada por investimentos contínuos em ensino superior. Cerca de 98% das universidades chinesas melhoraram suas posições, lideradas pela Universidade Tsinghua (36ª). A China é agora o país mais representado no Global 2000, com 360 instituições, superando as 313 dos Estados Unidos. Na Europa, o quadro é de dificuldades, com quedas generalizadas no Reino Unido, França e Alemanha devido à competição global intensificada.


PAUTA

O investimento científico apenas caiu nos últimos trinta anos. Há muito apelo para a formação apenas profissional, como mão de obra, em detrimento da pesquisa. Pior é o aumento de universidades públicas envolvidas em parâmetros ideológicos, movimentos temporários cujos temas ficam restritos à cultura “woke”, agora entrando em decadência.


TEMA

A “cultura woke” refere-se à aplicação de narrativas progressistas e à defesa ativa da diversidade e justiça social (como igualdade racial, de gênero e LGBTQ+) na política, no entretenimento e nas empresas. O termo deriva do inglês “acordar” e, originalmente, significava estar consciente das injustiças raciais. Progressistas e conservadores se engalfinham enquanto o andar de baixo não está nem aí para o debate.


ANDAR

Entrar em universidade país afora, principalmente em áreas de humanas, dá uma tristeza daquelas. O umbigo vale mais do que olhar para mais adiante, depois da próxima esquina.

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Benedito Said

Detalhes

Benedito Said é jornalista e radialista desde 1973. Dono de um estilo próprio, é comunicador respeitável, mantendo público cativo em seu programa Comando das Sete, na Rádio Educadora. Foi vereador, presidente da Câmara Municipal de Montes Claros e Secretário Municipal da Educação. É professor. Toda essa experiência confere a ele conhecimento, experiência e o domínio de um texto que mistura temas relevantes com humor refinado e rara ironia.

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