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SER POLITICAMENTE INCORRETO, A GRANDE VANTAGEM DO TERROR

Ilustração conceitual em formato panorâmico mostrando uma engrenagem industrial gigante feita de moedas e cifrões esmagando um mapa mundi, com uma torre de vigilância militar de um lado e o reflexo de minaretes e arranha-céus sob um céu de tempestade do outro.

Márcio Pires Antunes

Recentemente li um artigo sobre quanto custa as forças que diversas nações, notadamente os Estados Unidos da América, mantêm na luta contra o terrorismo e concluí que essa “guerra” entre bem e mal tão cedo passará.

Os motivos são fáceis de enumerar:

Primeiro o próprio aparato global contra o terrorismo, envolvendo americanos, suas forças armadas e agências de inteligência, notadamente CIA e NSA, além das estruturas de inteligência mantidas por Israel, Inglaterra, Alemanha, França, Itália, Rússia e outro países alvo do terror.

Representam um orçamento de bilhões de dólares anuais e gestão de milhares de empregos diretos e indiretos ao redor do mundo, conferindo a quem manda nestas estruturas um poder difícil de aquilatar.

Por este prisma é fácil perceber que a luta contra o terror se tornou uma indústria. E como todo empreendimento num mundo capitalista para ser lucrativa e sobreviver deve investir em marketing. (*)

E qual melhor argumento de convencimento da necessidade de manutenção e até de mais investimentos nestas ferramentas de “garantia de segurança” do que as cenas de civis sendo metralhados, para se tomar o mais recente exemplo, ocorrido na França numa fatídica sexta-feira 13. (**)

Os serviços de inteligência criaram Ossama Bin Laden e depois o caçaram; da mesma forma criam ou permitem que outras lideranças extremistas proliferem. Tanto é assim que a Arábia Saudita, principal aliado americano no mundo árabe é o maior exportador do fanatismo islâmico para o mundo inteiro.

Para que isso? Para justificar a necessidade de manutenção das agências de segurança e de combate ao terror.

Para se tomar um exemplo vejamos o Brasil, uma democracia que tenta se firmar. Somos um estado laico. Ou seja, que não faz parte do clero; que não pertence a instituição ou ordem religiosa, que não aceita ou recebe influência religiosa; que se opõe ao que é eclesiástico; secular.

Segunda questão: Estados laicos x estados teocráticos.

Cada cidadão professa a sua fé e nenhum aparato governamental pode impor ou exigir questões ou doutrinas religiosas.

 No mundo islâmico está ocorrendo o oposto. O Irã é o carro chefe. A autoridade suprema do país é um aiatolá, e todas as decisões do estado devem ser subordinadas aos preceitos do alcorão.

É daí que surge a Jihad. A chamada guerra santa. Ora, se debruçarmos sobre a História Ocidental veremos as cruzadas numa guerra santa cristã focada em libertar Jerusalém dos infiéis.

Estas foram ações decididas na época por monarcas e papas.

O diferente agora é que o Alcorão permite e diz ser obrigação a qualquer fiel mulçumano a empreender a jihad quando se trata de matar qualquer “infiel”. E o jihadista é inocentado perante as leis de Alá e mais, recompensado com setenta virgens num paraíso onde os rios correm leite ou vinho. O que dizer então quando um bando de mulçumanos embolados em guetos nas maiores cidades europeias, excluídos, desempregados ou subempregados são estimulados à jihad?

Pela ótica do Ocidente diz se que o Islã é retrógado e medieval.

Pela visão do mulçumano que leva o Corão ao pé da letra o Ocidente é o reino do grande satã.

Está formado o imbróglio e será necessário tempo, boa vontade e verdadeira intenção de pacificar para apaziguar ânimos e demover os responsáveis por esse combate a deixarem de lado vaidade e poder para, de fato, buscarem a harmonia global.

Nota do editor: (*) Este ensaio foi escrito originalmente em 2015, no calor dos desdobramentos geopolíticos que chocaram o Ocidente naquele período. A sua publicação hoje, na coluna Sem Mordaças, visa propor uma reflexão atemporal: mais de uma década depois, os mecanismos da “indústria do medo”, o papel das agências de inteligência e o choque dogmático continuam operando sob a mesma lógica, provando que certas dinâmicas globais permanecem assustadoramente atuais. (**) O fatídico atentado da “sexta-feira 13 na França”, que foi o ataque ao Bataclan em novembro de 2015.

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Opinião
Márcio Antunes

Sem Mordaças

Pioneiro na publicidade e propaganda no Norte de Minas reúne importante conhecimento e experiencia. Participou da coordenação de marketing em diversas campanhas eleitorais vitoriosas e na área comercial foi o criativo de campanhas publicitárias de sucesso. Presta consultoria a lideranças políticas e empresários em Montes Claros e Norte de Minas. É consultor sénior da Pharaoh Digital.

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