MINAS
Lula e Flávio Bolsonaro não sabem ainda o que fazer em Minas Gerais para ter palanque que lhes impulsionem a campanha eleitoral. Os dois têm uma certeza, não querem governar o estado. Querem apenas um caixote para subir e propagar as ideias que acham assertivas.
MEDITAR
“Minas são muitas. Porém, poucos são aqueles que conhecem as mil faces das Gerais.” Profundo, o escritor mineiro João Guimarães Rosa (nascido em Cordisburgo) faz verdadeira declaração de amor à multiplicidade geográfica, cultural e linguística do estado. E até mesmo quando o tema é política, as várias facetas do mineiro aparecem.
VERSO
Para Guimarães Rosa, a essência do mineiro uni todas as paisagens físicas e espirituais, transformando o sertão e as montanhas em um cenário onde o local ganha dimensão universal.
DÓ
Mas faz até dó colocar Guimarães Rosa nesse imbróglio em que a política se transformou. O coitado não merece servir de plataforma para sustentar as dúvidas de quem procura se eleger apenas para se manter no poder, há mentiras de jagunço matador; há disfarces de bom-mocismo. O povo mineiro, capim na ponta de um dos lábios, rumina esperança que não vem.
CAIXOTE
Numa eleição para vereador, o lendário radialista José Vicente, falecido recentemente, resolveu montar palanque na Vila Anália, onde tinha vínculos afetivos a partir da amizade construída por sua esposa Mirtes, também falecida. Arranjou um caixote com aquele jeito matuto e alegre. E mandou ver no discurso. Plateia pouca. Um a um foi o público minguando. Ficou apenas um, contava Zé Vicente. “Muito obrigado porque você ficou até agora me ouvindo.” O ouvinte respondeu: “ não é isso. Eu sou o dono o caixote e só estou esperando você desocupar ele para guardar”.
VOTO
Considerado um estado decisivo para as eleições presidenciais, Minas Gerais se tornou o principal desafio do PT e do PL na montagem de palanques estaduais para o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato à Presidência.
INDECISO
A dois meses do prazo final para as convenções partidárias, Lula e Flávio ainda não conseguiram definir quem serão seus candidatos a governador no segundo maior colégio eleitoral do país e, agora, testam nomes que antes apareciam como plano B.
NOMES
Integrantes do PL afirmam que o apoio a Cleitinho é hoje a principal aposta do partido e admitem que a candidatura do empresário Flávio Roscoe (PL), recém-filiado, só deve ser lançada caso o senador decida não concorrer. Além disso, tradicionalmente o candidato a presidente mais votado em Minas é vitorioso também no cômputo nacional. A última exceção ocorreu em 1950 —com Getúlio Vargas.
TECIDO
É possível que o candidato lulista a governador seja o empresário Josué Gomes da Silva. Ele é filho do ex-vice-presidente José Alencar, é próximo de Lula e se filiou ao PSB a tempo de concorrer. Mas a Coteminas, dirigida por Josué, vai mal das pernas, em recuperação judicial e pode virar munição para oposição.
TEMPO
Em campanha em 1982, Tancredo Neves usava o termo “burgos podres” para se referir a municípios do interior mineiro dominados por coronéis, sem alma cívica e submissos ao mandonismo político. O líder político usava a expressão para denunciar a influência dessas localidades no sistema eleitoral da época. Hoje, bem diferente, pesa muito quanto custa o cabo-eleitoral.








