SÃO PAULO – O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), deflagrou na manhã desta terça-feira (21) a Operação Janus. A ação ostensiva visa desarticular uma rede de operadores financeiros que atuavam no favorecimento do Primeiro Comando da Capital (PCC), operando uma espécie de “banco paralelo” para a organização criminosa.
Ao todo, a Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens expediu 18 mandados de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão. A ofensiva conta com o apoio ostensivo do Comando da Polícia Militar de São Paulo, mobilizando 57 policiais militares e 19 viaturas no cumprimento das ordens judiciais.
Esquema de lavagem de dinheiro e cativeiros
As investigações do GAECO apontam que os suspeitos utilizavam entregas de dinheiro em espécie, transferências bancárias fracionadas e contas de empresas de fachada e “laranjas” para ocultar e circular recursos ilícitos da facção. Um dos principais beneficiários do esquema é Leonardo Monteiro Moja, o “Léo do Moinho”, apontado pelos promotores como uma das lideranças do grupo criminoso.
Além do braço financeiro, as apurações do Ministério Público revelaram que os investigados participavam ativamente de reuniões conhecidas como “tribunais do crime”. Nestes encontros clandestinos, os operadores ajudavam a julgar e resolver disputas patrimoniais internas e sanções impostas pela facção.
Bloqueio patrimonial de R$ 10 milhões por alvo
Para sufocar a estrutura econômica do grupo, a Justiça determinou medidas cautelares patrimoniais severas. Houve o bloqueio de contas bancárias, aplicações financeiras, sequestro de bens e indisponibilidade de imóveis e veículos dos envolvidos. O limite do bloqueio de ativos financeiros foi fixado em até R$ 10 milhões por investigado, além de sanções contra pessoas jurídicas usadas no esquema.
A Operação Janus é um desdobramento direto de outras grandes investidas do GAECO contra o crime organizado, como as operações Bazaar, Recidere e Salus et Dignitas. O nome “Janus” faz referência à divindade romana associada às transições e passagens, uma alusão à migração do dinheiro em espécie para o sistema financeiro formal feita pelos investigados.
(Com informações do MPSP e Agência Brasil.)





















