Sentir falta de ar e perder o fôlego ao subir uma escada pode não ser apenas reflexo de falta de condicionamento físico ou sedentarismo. Nesta quinta-feira, 9 de julho, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) chama a atenção para o Dia Nacional de Alerta contra a Insuficiência Cardíaca, uma condição grave que já afeta cerca de 1,7 milhão de brasileiros.
Como os principais sintomas da doença envolvem dificuldade respiratória durante o esforço físico, fadiga muscular e retenção de líquidos, o diagnóstico precoce muitas vezes é prejudicado. Muitas pessoas confundem esses sinais com os efeitos naturais do envelhecimento.
Por que os sintomas aparecem durante o esforço físico?
De acordo com o cardiologista Marcus Simões, membro da SBC, a consulta com um especialista é fundamental para investigar os sintomas de insuficiência cardíaca. O médico explica que o coração é mais requisitado quando o corpo realiza atividades cotidianas.
“Quando você força a musculatura, ela tem que receber mais sangue, e aí o coração tem que bombear mais sangue. Então, é na hora do esforço que o coração usualmente demonstra que não está bem”, esclarece o especialista.
A condição costuma se manifestar como sequela de alguma outra doença cardíaca preexistente, como um infarto. Outros fatores de risco que desencadeiam o problema incluem:
- Doenças nas válvulas do coração;
- Condições crônico-degenerativas, como diabetes e hipertensão arterial;
- Doenças regionais, com destaque para a doença de Chagas.
Em decorrência dessas patologias, o músculo cardíaco sofre lesões lentas e perde a capacidade de receber e bombear o sangue adequadamente para os diferentes tecidos do corpo.
Riscos de mortalidade e internações por insuficiência cardíaca
A insuficiência cardíaca pode ser a primeira manifestação de diagnósticos graves. Sem o devido acompanhamento, o paciente enfrenta o risco de múltiplas internações hospitalares por descompensação, além de uma taxa de mortalidade que varia entre 30% e 50% ao longo de cinco anos.
O diagnóstico inicial é predominantemente clínico, realizado no consultório médico. Para fechar o quadro com precisão, o profissional de saúde pode solicitar exames complementares simples, tais como:
- Raio-X de tórax;
- Ecocardiograma (ultrassonografia do coração);
- Exames de sangue com análise de biomarcadores
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Tratamento gratuito pelo SUS e reabilitação
A evolução da insuficiência cardíaca e seus sintomas podem ser controlados com o uso contínuo de medicamentos. Os principais remédios para o tratamento são distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Dados da SBC alertam que cerca de 25% dos casos de descompensação aguda ocorrem por causa da interrupção do tratamento por parte do paciente. O agravamento do quadro de saúde também pode ser precipitado por infecções, arritmias, crises hipertensivas, novos infartos e episódios de miocardite.
Além da terapia medicamentosa, a reabilitação física supervisionada é considerada uma medida essencial. Praticar atividades físicas graduadas e progressivas ajuda a aliviar os sintomas da insuficiência cardíaca, melhora a musculatura esquelética e devolve a qualidade de vida ao paciente.
Essas orientações atualizadas vão integrar a nova diretriz brasileira para o tratamento da doença, com lançamento previsto para outubro durante o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, no Rio de Janeiro.
(EBC)




















