Por Benedito Said
ÁRIDO
Os períodos de seca vão ficar mais longos e intensos no Sudeste nas próximas décadas. Essa é a conclusão de um estudo de pesquisadores da Funceme (Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos) e da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). O norte de Minas sabe muito bem o que é longo período de seca. Mas ainda falta muito para aprender a viver sem prejuízos atrozes com a longa estiagem. Há ainda mais estrago do que bom resultado diante da oscilação de humor do clima.
CHUVA
A projeção foi publicada na última sexta-feira (21) na Revista Brasileira de Recursos Hídricos. Os pesquisadores utilizaram o Drip (Drought Representation Index), um índice de desempenho de modelos climáticos para representação de secas. Deixaram apenas de fora, isto é, sem dados profundos os períodos de estiagem na bacia do rio São Francisco, mesmo que os estudos se baseiem em projeções.
SUDESTE
Levando também em cômputo os indicadores de mudanças climáticas, os pesquisadores tentaram projetar como serão os períodos de estiagem na bacia do rio Paraíba do Sul, responsável pelo abastecimento de 20 milhões de pessoas em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
TRÉGUA
O norte de Minas sempre atravessou períodos de longa estiagem. No passado, a vida rudimentar era mais cruel porque os recursos à disposição para o enfrentamento sem água dos céus e da terra eram bem menores, e difíceis principalmente aos mais pobres. Povoados isolados, principalmente acima de Janaúba, não se sabe como, atravessaram os tempos sem rios correndo pelas terras tórridas e depois saiam lá na frente, preparando a terra novamente para plantar.
BRANCO
Nas décadas de 1960 e 1970, entre Janaúba e Espinosa, quando o trem baiano ainda serpenteava carregando gente e arrobas de algodão, a riqueza bateu na porta de muito produtor rural, dono de terra grande. E fez dono de usina se tornar poderoso, em muitos casos, político severo com ares que sobraram do lendário Coronel Levi, mão de ferro de Monte Azul, e que chegou a ser deputado estadual. A briga era feia na Assembleia Legislativa. Mas não se prepararam para o bicudo do algodoeiro, que dizimou plantações e fez o povo mudar a rota da economia.
SALVA
Sempre a região de Janaúba comandou a produção de gado de corte no norte de Minas. Terra plana, chegou a ter frigorífico potente. Montes Claros teve o Frigonorte, que entregava carne em caminhões frigoríficos de alta potência. Mas a seca continua a se meter na produção da agropecuária. Foi o aprendizado do confinamento, novas sementes mais resistentes e preservação das fontes de água que ajudaram a se conhecer melhor o clima, o solo, fontes de abastecimento e alcançar produtividade. Aí entram Embrapa, Epamig e gente resistente, como dita Os Sertões, de Euclides da Cunha. Resta se conhecer ainda financiamento mais fácil para o produtor, que dá duro para produzir comida inclusive em tempos de muito sol quente, além da chuva minguada.
BOLSA
Enquanto isso, o país assiste novamente ao crescimento do número de beneficiários do Programa Bolsa Família, principalmente aqueles que dizem que moram sozinhos. De janeiro a julho de 2026, último dado disponível, houve um acréscimo de 344 mil famílias unipessoais no Bolsa Família. No mesmo período, o total de beneficiários também subiu de 18,8 milhões para 19,3 milhões. É mais fácil que cutucar a terra para produzir alimento, principalmente se vier estiagem. Nessa horta não falta chuva.





















