COLEÇÃO
A entrada do senador Jaques Wagner no panelão do Banco Master era uma questão de tempo. A oposição repetia há meses que as delinquências de Daniel Vorcaro começaram na Bahia. Lá atrás, durante a Lava Jato, a polícia encontrou 15 relógios de luxo na casa do senador. Um deles, mimo da empreiteira Odebrecht, foi avaliado pela Polícia Federal em US$ 20 mil.
Ele explicou que eram imitações chinesas. Passaram-se dez anos, a PF foi lá e voltou a achar relógios. O senador voltou a dizer que eram imitações chinesas. A reprise transforma Wagner num caso raro de colecionador de falsificações chinesas.
Depois do mensalão e do petrolão, o PT foi jogado na panela do caso Master. A ver como lida com ele às vésperas de uma eleição.
FORTE
O deputado Gil Pereira reforça campanha à reeleição à Assembleia Legislativa. Sempre discreto, mas com presença em várias áreas do desenvolvimento social e econômico do norte de Minas, ampliou divulgação de atos relativos não apenas o macroprojeto de energia solar, cujas leis de normatização saíram de seu gabinete, mas também do varejo. Privilegia a área educacional e saúde.
PASSADO
Gil começou sua caminhada a partir da convivência com o lendário deputado Edgar Pereira, falecido em 1974 vítima de acidente automobilístico. Manteve sempre convivência com Humberto Souto, que também começou na política fazendo dobradinha com Edgar. Mas o deputado foi vereador na década de 1988 e secretário de Governo de Mário Ribeiro, que foi prefeito de Montes Claros. Superou a timidez usando a capacidade de ouvir mais e aprender a executar conforme o som vindo das ruas. Foi assim quando criou o Disque Gil, uma espécie de SAMU primitivo, que socorria as pessoas com a saúde em situação de risco. Era um tempo diferente.
CONCORDIA
Gil Pereira é um exemplo dos políticos antigos. Não cultiva inimigo e não tem resposta áspera na ponta da língua. Mineiro, gosta do silêncio e a espera. É o jeito que usa para manter diálogo com frentes diferentes, governos e poderes que já foram esquecidos. Talvez seja ele uma aroeira de beira-de-rio, que anda em extinção acelerada.
APOIO
A Dra. Gislene Alves e a Dra. Cláudia Gleide Gomes são, respectivamente, psiquiatra e psicóloga com importante atuação na prevenção quando ao uso e disseminação de drogas. Atendem a pessoas, principalmente jovens que se encontram na encruzilhada que dão muita força na direção da queda irreversível. Dra. Cláudia Gleide aponta para o que seja uma doença com tratamento, mas com forte viés de consequências irreversíveis ao longo do tempo.
CAMINHO
As duas profissionais de saúde atuam diretamente no centro do furacão das drogas, que é o atendimento à vítima, mas estão com papéis fundamentais no Conselho Municipal de Álcool e Drogas. O Comad vive praticamente da boa-vontade de voluntários e sem recursos que permitam ações contínuas, envolvimento maior da comunidade e compreensão da sociedade sobre o que é combater o avanço das drogas, inclusive as próprias bets, agora poderosas como nunca.
VOTO
As doutoras Gislene Alves e Cláudia Gomes foram candidatas à Câmara Municipal de Montes Claros nas últimas eleições. A experiência não foi das melhores para ambas. Votação pífia num cenário em que prevaleceu o mesmo do mesmo. No contexto existencial das duas profissionais estava a proposta de ampliar as políticas públicas contra o avanço das drogas, agindo no cenário da prevenção e acolhimento. Dá para perceber que não é tema tão sensível à maioria da população, ainda sustentada pela crença do resultado imediato, asfalto, apadrinhamento e condicionantes que relativizam o valor do voto. Não querem mais saber de experiência tão decepcionante.
AÇÃO
No próximo dia 26, na Praça Dr. Carlos, haverá movimentação importante de vários organismos policiais, sociais e de saúde voltados à prevenção quanto ao uso de drogas. Será o encerramento da Semana Municipal de Prevenção às Drogas.
LOUCOS
Importa dizer que a sociedade está se distanciando de suas raízes. Depressão, ansiedade, inconstâncias mentais avançam num piscar de olho materialista. O tipo de paranoia que assola a sociedade atual advém da própria modernização tecnológica, produtora de conhecimento e informação em larga escala, e destruidora dos costumes. Rompem-se família, espiritualidade e conectividade fundamental com valores que constroem a vida, aí vai dar tudo errado.
TEMPO
Toninho Rebelo, um dos grandes prefeitos de Montes Claros, certa feita, disse numa roda de conversa na qual estava presente: “Sabe, Said, quando a família acabar, a religião ou a igreja começar a sofrer de abandono, pode esquecer. O buraco será profundo. Nem de primo em primeiro grau vão se lembrar”.








