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Uma história de 123 anos de acolhimento, abandonos e resistência – Benedito Said

Asilo São Vicente de Paulo acolhe idosos em Montes Claros há mais de 120 anos.

HUMANO

O Asilo São Vicente de Paulo em Montes Claros tem 123 anos. Nasceu quando a cidade respirava tempos rurais e bucólicos. Instalado ali onde hoje é Rua Doutor Veloso, caminho da Vila Guilhermina, fica anexo à capela, ainda hoje ponto de encontro de fé. Depois foi, na década de 1980, para as cercanias do anel rodoviário sul. Sempre foi mantido pela fé até porque os problemas são muitos.


BERÇO

Atualmente, o Asilo São Vicente de Paulo acolhe 128 idosos, sendo 20 deles acamados. Existe alto custo na manutenção da entidade e fechar as contas do mês não é tarefas das mais fáceis. São 220 fraldas por dia ao custo entre 25 mil e 28 mil reais mensalmente. Mas há alimentação, além cuidados higiênicos com o lugar e com os idosos. Com 80 servidores, inclusos fisioterapeuta, farmacêutico, psicólogo, enfermeiro, assistente social e médico, as despesas ainda servem para manter remédios, alguns fora do eixo do fornecimento público, e funeral sempre rondando.


ABANDONO

O presidente do Asilo, Aparício Fernandes, 71 anos, diz que a campanha para manutenção da instituição é permanente. Não há dia de sossego. “Necessitamos da participação da população”, afirma. Aparício já foi presidente do Conselho Municipal de Saúde e sabe muito bem o que andar ao lado da doença e a necessidade de acolhimento aos que precisam de remédio para o que dói. Mas há um detalhe extra. Quem está no Asilo precisa também de afeto, compreensão, colo fraterno.


DISTÂNCIA

Há casos de famílias que deixam os idosos no local e deles não querem mais contato. “Cada um sabe a sua razão, mas há famílias que não deixam o idoso ter mais contato com eles. A gente liga, mas sempre há, nesses casos, alguma desculpa para se desvencilhar do encontro. Um dificuldade relacionada a tempo.” É um momento de fragilização, o que não pode chegar a rejeição, como se vê alguns casos.


AJUDA

Quem quiser ajudar o telefone de contato 3221-3070 (telemarketing), 3214-1244 (secretaria) e chave Pix 22682173000170.


HISTÓRIA

As Ordens dos Hospitalários e dos Templários foram as duas mais poderosas ordens de cavalaria militar e religiosa da Idade Média. Criadas na época das Cruzadas, ambas tinham a missão de proteger os peregrinos na Terra Santa, mesmo que divergissem em suas origens e propósitos principais.


HOSPITAL

A ordem dos Cavaleiros Hospitalários foi criada em 1048 (antes dos Templários). Começou como uma instituição de caridade que geria um hospital para peregrinos doentes. A principal missão era conciliar a assistência médica aos doentes e necessitados com a proteção militar aos territórios cristãos. Vestiam túnicas pretas com uma cruz branca (que originou a famosa Cruz de Malta). Diferente dos Templários, os Hospitalários sobreviveram. Continuaram sua atuação militar em Chipre e Rodes, e depois se fixaram na ilha de Malta (passando a ser conhecidos como Ordem de Malta). Eles existem até hoje como uma entidade soberana dedicada a trabalhos de caridade e ajuda humanitária internacional.


ILUSÃO

São Vicente de Paulo (1581–1660) foi um sacerdote francês conhecido como o “pai dos pobres”. Nascido em uma família humilde de camponeses, ele superou até mesmo um período de dois anos como escravo na África. Durante uma viagem marítima, foi capturado por piratas e vendido como escravo em Túnis. Conseguiu a alforria dois anos depois, após converter seu próprio “dono” ao cristianismo. Ao retornar à França, chocou-se com a pobreza material e espiritual dos camponeses. Esse cenário motivou sua mudança de postura, deixando ambições pessoais para focar totalmente na evangelização e assistência aos mais necessitados.

BAILE

Ninguém vai achar São Vicente Paulo em bailes funks, som alto, luz de neon, redes sociais vestidas de nada e consumo.

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Benedito Said

Detalhes

Benedito Said é jornalista e radialista desde 1973. Dono de um estilo próprio, é comunicador respeitável, mantendo público cativo em seu programa Comando das Sete, na Rádio Educadora. Foi vereador, presidente da Câmara Municipal de Montes Claros e Secretário Municipal da Educação. É professor. Toda essa experiência confere a ele conhecimento, experiência e o domínio de um texto que mistura temas relevantes com humor refinado e rara ironia.

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