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CADÊ A LIDERANÇA?

Ilustração conceitual em tons de azul e laranja mostrando a silhueta de um líder observando o planejamento urbano, ferrovias e o futuro de Montes Claros.

Uma pergunta que muitos montes-clarenses devem se fazer constantemente é: quem são as verdadeiras lideranças locais?

Ser líder é ter a capacidade de influenciar, inspirar e motivar pessoas a trabalharem juntas, de forma voluntária, em direção a um objetivo comum. Liderança não se resume à autoridade conferida por um cargo; trata-se da habilidade de extrair o máximo potencial de uma equipe ou comunidade e conduzi-la rumo a resultados concretos.

Partindo desse conceito, espera-se que um líder tenha a visão de futuro e seja capaz de planejar o desenvolvimento de Montes Claros para as próximas décadas.

Um exemplo disso é a proposta de criação da Região Metropolitana de Montes Claros (RMMOC), que consolidaria o município como a principal referência econômica e administrativa do Norte de Minas. Entre os benefícios esperados estão o planejamento integrado de serviços públicos, como saúde, mobilidade e saneamento, o aumento dos repasses estaduais e federais e o fortalecimento da atração de investimentos industriais.

O projeto tramita na Assembleia Legislativa de Minas Gerais desde agosto de 2017. Entretanto, até o momento, não recebeu a prioridade compatível com sua importância estratégica para o desenvolvimento regional. A população, por desconhecimento ou desinteresse, também pouco cobra a sua efetiva implantação.

Outro tema fundamental é o saneamento básico. Com a criação do Novo Marco Legal do Saneamento, instituído pela Lei nº 14.026/2020, o Brasil passou a perseguir a meta de universalizar os serviços de água e esgoto até 31 de dezembro de 2033. A nova legislação abriu espaço para maior concorrência e para novos investimentos no setor.

Montes Claros, no entanto, continua enfrentando sérios desafios nessa área. Há décadas a cidade convive com problemas estruturais de saneamento sem que sejam apresentados projetos transformadores capazes de atender às necessidades futuras da população.

Mais uma vez surge a pergunta: onde está a liderança com visão de longo prazo, capaz de lutar por soluções definitivas para um dos maiores desafios urbanos do município?

A mesma reflexão se aplica ao setor ferroviário. O Marco Regulatório das Ferrovias, instituído pela Lei nº 14.273/2021, foi criado para estimular investimentos privados e ampliar a malha ferroviária brasileira.

Montes Claros possui uma localização estratégica e faz parte de uma importante rede ferroviária que, durante o século passado, contribuiu significativamente para o desenvolvimento econômico da cidade e da região. Como um dos principais entroncamentos rodoviários do país, o município poderia se beneficiar enormemente da recuperação e modernização desse sistema logístico.

Entretanto, grande parte da infraestrutura ferroviária regional encontra-se abandonada e sucateada, sem que exista um movimento consistente em defesa de sua revitalização.

Outro projeto praticamente desconhecido da população é o Plano de Mobilidade Urbana de Montes Claros, elaborado pelo urbanista Jaime Lerner durante a gestão do então prefeito Luiz Tadeu Leite. O estudo contempla diversas intervenções voltadas à melhoria da mobilidade, da área central da cidade e dos espaços culturais, além de estabelecer diretrizes importantes para o crescimento urbano. Apesar de integrar o Plano Diretor do município, o projeto permanece distante do debate público.

Também merece destaque o Projeto Cinturão Verde de Montes Claros, iniciado na gestão do ex-prefeito Antônio Lafetá Rebello, em 1974. A proposta tinha como objetivo fortalecer a agricultura familiar por meio da criação de um polo de horticultura e produção agrícola formado por comunidades rurais localizadas em um raio de até 30 quilômetros da sede do município.

Se consolidado, esse arranjo produtivo poderia contribuir para a geração de renda, a segurança alimentar e o abastecimento regional. Atualmente, grande parte dos hortifrutigranjeiros consumidos em Montes Claros é proveniente de outros centros de distribuição, especialmente da CEASA de Belo Horizonte.

Diante de tudo isso, fica a pergunta: onde estão as lideranças políticas, empresariais, comunitárias e classistas? Onde estão as ações de longo prazo por parte do Poder Executivo? Onde está o debate sobre o futuro da cidade? E qual tem sido o papel dos 23 vereadores nesse processo?

Montes Claros possui potencial econômico, localização privilegiada e importância regional incontestável. O que parece faltar é uma discussão mais ampla sobre planejamento, continuidade administrativa e projetos estruturantes capazes de preparar a cidade para os próximos 20 ou 30 anos.

Se você acredita que esses temas são importantes para o futuro de Montes Claros, participe do debate público, acompanhe as decisões dos seus representantes e exerça seu papel de cidadão.

Afinal, o desenvolvimento não acontece por acaso. Ele exige visão, planejamento e, acima de tudo, liderança.

Acorda, Montes Claros!

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Opinião
Luciano Meira

O Outro Lado da Moeda

Diretor e consultor de negócios com ampla visão estratégica, voltado para o desenvolvimento de processos produtivos, gestão empresarial e inovação. Reconhecido pela capacidade de identificar oportunidades, otimizar operações e implementar soluções que agregam valor ao mercado.

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