Benedito Said
FIAÇÃO
Montes Claros convive com o aumento de furtos de cabos de energia, telefonia e internet. Claro que há um mercado receptor dessas mercadorias arrancadas dos emaranhados de fios que se enroscam nos postes. Chegar aos produtores desse comércio marginal requer dedicação e vigilância. No entanto, o receptor é o principal fio condutor para se chegar até o novelo. Com o advento da energia solar, em que cabos, em alguns casos, têm alto valor, aí é que o negócio atrai meliantes. À noite, como diz a lenda, todos os gatos são pardos.
APURAR
Não custa nada à Câmara Municipal debater esse malfeito de furtos de fios em Montes Claros. Como são feitas audiências públicas sem pé nem cabeça, muito mais com instinto eleitoreiro do que em busca de solução, um debate nesse nível, com a presença das forças policiais investigativas e dos donos de ferros-velhos, que conhecem o valor de cada peça arrancada dos postes, dar-se-ia o início de um combate exemplar a esse tipo de crime.
LONGE
Na década de 1980, logo no início, o ex-prefeito Antônio Lafetá Rebelo implantou um projeto de retirada dos fios das ruas centrais da cidade. Daquela iniciativa espetacular, restam apenas, como testemunhas do projeto, as ruas Dr. Veloso e Camilo Prates.
ARAPUCA
Em tempos de eleição, uma das primeiras iniciativas de candidato endinheirado é montar um comitê político. Acha que dá visibilidade, e é verdade. Subentende-se ser um escritório para atendimento ao público em geral. Assim, muitos acorrem ao comitê em busca de algum auxílio. Há os que prometem mundos e fundos, que têm cem votos ali, que a família é grande o suficiente para eleger até vereador, mostrando, logo a seguir, quanto custaria o apoio ao candidato. Balela que se repete atrás de outro e outro candidato.
CAFÉ
Os frequentadores de comitês, normalmente, saem das visitas com mãos carregadas de santinhos e adesivos. Há quem fature algum benefício extra. Em 1988, um candidato a prefeito ganhou um carregamento de biscoito e abasteceu cada um dos candidatos a vereador que o seguiam com um lote da guloseima. Não deu nem para o café da manhã.
IRMÃOS
Certa feita, em campanha para prefeito em Montes Claros, o comitê do principal candidato recebeu a visita de cem pessoas ao mesmo tempo. O olho do candidato cresceu mais que barriga de vaca prenha. O porta-voz do grupo revelou que ali estava toda a família, todos unidos para apoiar e ter garantia de algum benefício futuro. O candidato perguntou se ali todos eram parentes e estavam unidos naquela missão eleitoral. Um gaiato, no meio do grupo, com um bafo de cachaça curraleira, pediu a palavra: “Nós não conhecemos uns aos outros, mas o chefe aí disse que daria cinquenta reais, uma cachaça e um marmitex para cada um. Ele que se vira porque estou com fome”.
DENTE
Mas no passado o folclore era muito mais intenso. Dr. Pedro, dentista prático, era vereador por Mato Verde, mas residia em Jaíba, naquela época ainda não emancipada. Para ir às reuniões em Mato Verde era uma viagem triste, terra na cara e buraco. Ele fazia dentaduras para os banguelas locais e na chapa, logo no palato, no centro do céu da boca, tinha o número da candidatura dele. Não perdia uma. Foi o primeiro a ter televisão com controle remoto, mas o controle tinha um fio conectado ao próprio aparelho.




















