VELOZ
Brasil afora deve ocorrer cena igual às registradas diariamente no trânsito em Montes Claros. O motociclista para no semáforo, sempre pedindo exclusividade. Ao sinal verde, o condutor sai em velocidade estratosférica. Alguns ficam inclinados, como se o corpo necessitasse chegar primeiro que o veículo. Outros balançam o dorso, acrobáticos que são, num universo que deveria exigir prudência e atenção redobrada. Há quem pare rapidamente logo à frente. Outros continuam céleres, até desaparecerem no horizonte de carros da menina vestida de metrópole.
QUEDA
Daí vêm acidentados e velados. Há novos acamados e metamorfoseados pela falta de membros ou distorção de alguma parte do corpo que não resiste à queda, choques e demais atropelos nada planejados, mas possíveis de acontecer. E acontecem.
VOTAÇÃO
Ases dessas motos são iguais aos candidatos à eleição que se aproxima. Foi dada a partida eleitoral, com o semáforo da legislação aberto à caça do voto. Os mais afoitos antes mesmo da saída se sentem vitoriosos. Eleição, além de campo minado da avaliação pública, é território de ilusões. O termômetro primário é uma eleição municipal, por exemplo. O candidato a vereador se acha vereador eleito. O devido pé no traseiro é mais óbvio que panela queimada esquecida no fogo. Cada pavão deveria olhar para os próprios pés.
FINAL
Sair em alta velocidade não quer dizer alcançar a vitória. Há fatores internos e externos. A tal da legenda é crucial, assim como recursos para garantir mínima infraestrutura. Não só isso. Há uma história que precisa ser construída, apresentada e consumida com credulidade pelo eleitor, normalmente sem fé em discursos em forma de castelos de areia.
IGUAL
Candidato tem origem. Vem do latim “candidatus”, cândido, alvo. Em Roma, os candidatos punham togas brancas para mostrar que não tinham mancha, estavam limpos. Há candidatos que têm horror à cândida, se enfeitam com as encardidas penas da asa da graúna.
LUZES
Marketing, discurso com sons e palavras que mais parecem poemas simbolistas ou da Arcádia grega, é domínio de alguns. Veja agora. Em vez do velho refrão “Lula-lá”, a nação petista adotará o jingle velhaco da campanha de 1950 de Getúlio, precursor do marketing chapeleiro: “O sorriso do velhinho/ faz a gente trabalhar”. Juros altos e falência coletiva, nem pensar.
ALIADO
Mas o importante mesmo é saber quem ou quais os escolhidos para comandar o país, o executivo e o legislativo. Depois, não adianta o leite caro derramado. Pelo andar da carruagem e da motocicleta há muito personagem que não serve para ser o artista. Pode ser bandido. Ou o cocô do cavalo do bandido. Vá saber.
(Benedito Said)





















