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Intimidar jornalistas no caso Master coloca empresário na mira da Polícia Federal

O empresário Thiago Miranda, alvo da décima fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal.

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (9) a 10ª fase da Operação Compliance Zero. A ação tem como objetivo desarticular uma suposta organização criminosa que utilizava as redes sociais de forma coordenada para comprometer a credibilidade institucional do Banco Central do Brasil (BC).

Os agentes federais cumpriram dois mandados de busca e apreensão em Brasília. As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro André Mendonça.

Publicitário ligado a Daniel Vorcaro é o principal alvo da PF

O principal alvo desta nova etapa investigativa é o publicitário e empresário Thiago Miranda, proprietário da agência Miranda Comunicação (conhecida como MiThi). A decisão do ministro André Mendonça autorizou as buscas a fim de colher provas sobre crimes que teriam sido praticados por Miranda em coautoria com o ex-banqueiro Daniel Bueno Vorcaro.

Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, foi preso em novembro de 2025 no âmbito das investigações sobre fraudes financeiras na instituição.

Segundo os investigadores, recursos oriundos do esquema de fraudes no banco eram repassados para financiar campanhas de marketing digital e desinformação. O objetivo central era atacar a reputação de órgãos públicos e de autoridades monetárias.

Campanhas de desinformação, monitoramento e intimidação à imprensa

De acordo com os relatórios da Polícia Federal, o grupo recrutava influenciadores digitais e profissionais de comunicação contratados para difundir narrativas falsas na mídia tradicional e em redes sociais.

A atuação da organização criminosa ia além dos ataques ao Banco Central. As investigações apontam indícios de:

  • Intimidação de profissionais de imprensa: tentativas coordenadas de descredibilizar e silenciar jornalistas que cobriam os desdobramentos do escândalo do Banco Master;
  • Monitoramento ilícito: acompanhamento ilegal de pessoas ligadas a autoridades públicas e servidores do Banco Central;
  • Interferência institucional: obtenção indevida de dados sigilosos para tentar embaraçar e obstruir as investigações criminais em andamento.

Mensagens obtidas pela PF a partir de dispositivos eletrônicos apreendidos em fases anteriores revelaram diálogos diretos entre Thiago Miranda e Daniel Vorcaro. Em um dos trechos, o publicitário afirmava que iria realizar devassas na vida de repórteres investigativos após a veiculação de matérias sobre as fraudes financeiras da instituição.

Próximos passos e enquadramento criminal

O material apreendido nesta quinta-feira em Brasília será submetido a perícia técnica e análise detalhada do Setor de Inteligência da corporação.

Os investigados nesta fase podem responder por crimes contra o sistema financeiro nacional, organização criminosa, embaraço a investigações, além de invasão de dispositivos informáticos e violação de dados sigilosos.

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MinasNews

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