Publicidade
Publicidade

O preço mudou. E daí?

fazendeiro em meio a uma cultura de soja, satisfeito, com o olhar distante, olhando além do tempo

Por Vanessa Fernandes

Agronegócio. Mercado de Commodities

Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes que um profissional do agro pode fazer quando abre o celular pela manhã e começa a acompanhar o mercado.

O dólar caiu. A CBOT subiu. O petróleo disparou. Saiu uma nova decisão nos Estados Unidos. O USDA divulgou um relatório. Uma tarifa mudou. Uma oferta diminuiu em determinado país. A demanda aumentou em outro.

Informação não falta. Mas o que fazer com ela?

Você acompanha todos os dias e, se precisar ficar um mês sem olhar nada, no dia seguinte, quando voltar a acompanhar, parece que você continua vendo a mesma coisa.

O dólar está lá.

A CBOT está lá.

O petróleo está lá.

As notícias continuam chegando.

E o cenário internacional continua complexo.

Por isso, talvez a pergunta precise ser diferente. Mais importante do que saber o que mudou é entender: o quanto isso impacta, hoje, os negócios da empresa?

É aí que começa a diferença entre acompanhar o mercado e entender o mercado.

Acompanhar é saber o que aconteceu. É abrir o aplicativo, olhar a cotação, receber a notícia e guardar aquela informação para quando alguém perguntar. É saber que o dólar comercial está em determinado valor, que uma commodity subiu ou caiu e que houve uma mudança importante no cenário internacional.

Acompanhar versus Entender o mercado

Entender é bem diferente.

Entender é conseguir conectar os movimentos.

Se o dólar mudou, o que isso representa para a empresa? Quais serão os desdobramentos que isso pode causar e aos quais eu preciso ficar atento?

Hoje eu preciso olhar primeiro para o meu custo de importação ou para minhas vendas na exportação?

O que acontece com a minha margem? Meu cliente será afetado? Meu fornecedor será afetado?

Ou seja: se uma commodity mudou de preço, basta olhar para a cotação?

Não.

É preciso entender o que está por trás daquele movimento e como ele chega ao mercado físico.

Percebeu que não estou falando de decorar indicadores, né? Estou falando de fazer conexões.

E esse é um dos grandes desafios de quem trabalha no agro e na industria: sair da informação isolada e começar a enxergar o mercado como um sistema de movimentos que se relacionam.

Será que olhar apenas para a tela do celular pela manhã é suficiente para tomar uma decisão real nos negócios?

Conexões globais e o repertório do profissional

Uma alteração que acontece do outro lado do mundo pode chegar até uma indústria brasileira por meio do preço de uma matéria-prima.

Uma mudança no petróleo pode alterar o preço dos combustíveis e chegar a uma cadeia que, à primeira vista, parece não ter nenhuma relação com petróleo.

Uma mudança regulatória pode alterar a rentabilidade de um setor em outro país e, depois de algumas conexões, modificar a demanda por uma matéria-prima produzida aqui.

É por isso que eu acredito que o profissional do agro e da indústria precisa desenvolver um repertório de mercado.

Obviamente, ninguém vai conseguir saber tudo. Mas, com a prática, é possível aprender a observar primeiro aquilo que está mais próximo da sua realidade de trabalho, para agir mais rápido, e depois ampliar a visão para compreender o cenário de forma mais macro, se preparar e tomar decisões mais assertivas lá na frente.

É assim que o profissional deixa de apenas reagir ao que aconteceu e começa a perceber movimentos antes que eles cheguem ao seu negócio.

Dessa forma, ele consegue responder a uma pergunta muito mais importante do que “quanto subiu?” ou “quanto caiu?”:

O que essa mudança altera na minha cadeia?

Essa pergunta muda a qualidade da conversa com um cliente, com um fornecedor, com um parceiro e, principalmente, muda a qualidade da decisão.

Porque mercado não é aquela tela de cotações que aparece no celular. Precisamos ir além e enxergar tudo o que aquilo representa na vida real: das pessoas, das empresas e da sociedade em geral.

Mercado é aquilo que acontece, se movimenta, se conecta e chega até o nosso negócio.

Economia Complexa

E quanto mais complexa fica a economia, mais perigoso se torna olhar apenas para aquilo que acontece dentro da nossa própria empresa.

O profissional que conhece apenas o próprio produto pode saber muito sobre o que vende. Mas precisa tomar cuidado para não deixar de olhar para as mudanças que já estão acontecendo em outros mercados e que podem estar criando uma oportunidade, aumentando um risco ou mudando o comportamento do seu cliente.

É justamente aí que informação começa a virar interpretação, e interpretação começa a virar inteligência de mercado.

Porque o valor não está apenas em saber que o preço mudou.

Está em entender por que mudou, o que isso pode desencadear e, principalmente, o que essa mudança significa para o seu negócio.

Preços mudam todos os dias. E essa dinâmica exige que você desenvolva, todos os dias, a sua inteligência de mercado.

Compartilhe:
Agronegócios
Vanessa Fernandes

Agro Inteligência

Broker, com mais de 20 anos de experiência na condução de processos e negociações com fornecedores e compradores da Agroindústria. É referência no mercado de Óleos Vegetais, com mais de USD 500 milhões em negócios concretizados. Possui domínio de negociações complexas, processos de melhoria contínua, análises de mercados e planejamento de negócios para empresas.

Últimas notícias

Publicidade
Publicidade

Publicações que também pode te interessar...

Publicidade
Publicidade