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Setembro começou. Repita comigo: “não”, “não posso”, espere.

Pessoa observando um relógio e um smartphone, simbolizando a pressa do tempo moderno e a ansiedade digital.

Setembro chegou e o que bateu aí na sua mente, um começo de mês ou um final de mais um ano?

Eu não quero te lembrar que já estamos em setembro pra você falar: “Nossa, o tempo está voando”. Essa frase parece inocente, só que, de tanto pensar nisso, ela já vem com uma sensação de perda, como se alguma coisa tivesse passado rápido demais e nós não tivéssemos conseguido aproveitar, produzir ou realizar tudo o que deveríamos.

Então, vamos começar de novo:

Enquanto mais um mês começa em um ano desafiador, eu acordei e estou com saúde para refletir e lembrar que o tempo passou, eu consegui superar a maioria dos meus problemas e, se o tempo passou, é sinal de que vou continuar enfrentando e lidando cada vez melhor com as situações do dia a dia.

Foque no agora, em como foi até você chegar a esse artigo, e não vá além dele. Concentre-se na leitura e desfrute dela.

Certo dia, meu filho, com mais ou menos 13 anos, me disse que estava sentindo que o tempo estava passando muito rápido. E imediatamente me veio uma pergunta: rápido em comparação com o quê? Com os poucos anos que ele tem de vida? Se ele já sente isso agora, imagine nós, que temos décadas de experiências acumuladas para comparar.

Pensando na minha vida e história, eu lembrei da minha mãe falando como era lavar roupa na infância dela. Lavar roupa não era uma tarefa que acontecia entre uma coisa e outra, era praticamente um evento. Ela ia com minhas tias e minhas primas para o córrego e passava o dia lá. A roupa era lavada, mas havia também conversa, convivência, espera, observação. Então, entre a geração da minha mãe, que precisava estar inteira naquela atividade, e a do meu filho, que tem tantas facilidades e usa mais a mente do que o físico, eu percebi que talvez eu consiga contribuir aqui com a minha própria experiência em relação a isso, já que fiz algumas mudanças de hábitos para equilibrar esses dois mundos.

Ainda sobre a época da minha mãe, anos depois, já adulta, um dos presentes que mais marcou a vida dela foi ganhar do meu pai uma máquina de lavar roupas de aniversário. A tecnologia chegou para fazer exatamente aquilo que prometia: poupar tempo e esforço e a minha mãe ganhou algo raro: a possibilidade de participar mais da infância de seus filhos, cuidando da casa e vendo a gente crescer.

Hoje eu tenho uma máquina de lavar que considero praticamente uma companheirinha. Coloco a roupa, aperto alguns botões e posso ir fazer outra coisa. O que antes exigia um dia inteiro de trabalho e ainda envolvia um grupo de mulheres agora pode ser feito enquanto eu cuido de várias outras coisas.

Só que existe uma ironia nessa história. O que eu fiz com todo esse tempo que a tecnologia poupou da minha rotina, na minha vez de ser dona de casa?

Fiz tudo, menos me libertar do cansaço.

O tempo apareceu, mas eu preenchi o espaço. Mais trabalho, mais compromissos, mais informação, muita produtividade e coisas para resolver. E adquiri uma preocupação que a minha mãe não teve: um certo desespero só de pensar que a minha máquina poderia quebrar e me deixar “na mão”. A tecnologia simplificou uma atividade, mas nós encontramos uma maneira de ocupar o tempo que ela nos devolveu, seja nos ocupando ou ocupando a mente com pensamentos de ansiedade.

É muito bom aproveitar as facilidades tecnológicas, até o ponto em que elas chegam à dependência e ao descontrole mental.

E isso ajuda a explicar por que existe tanta gente com a sensação de estar atrasada na vida.

A comparação também mudou de escala. Antigamente, nos comparávamos com as pessoas que conhecíamos, com os vizinhos, parentes, colegas de trabalho. Hoje podemos acompanhar, em poucos minutos, a rotina de centenas de pessoas que parecem estar fazendo muito mais do que nós.

Uma pessoa trabalha, treina, viaja, estuda, cuida dos filhos, administra uma empresa, lê livros, participa de eventos e ainda encontra tempo para publicar tudo isso. Olhamos para ela e pensamos que existe alguma coisa errada conosco, porque não conseguimos acompanhar o mesmo ritmo. É mais fácil entrar no automático da frustração e não pensar que existe toda uma estrutura por trás daquela vida.

O fato é que agora o tempo também é um recurso econômico. Podemos pagar por serviços, terceirizar tarefas, delegar, estabelecer parcerias, fazer permutas, participar de grupos de compras, dividir custos e encontrar maneiras inteligentes de não precisar fazer pessoalmente algumas atividades que pareciam muito pessoais.

Isso não significa simplesmente ter dinheiro sobrando. Significa compreender o valor do próprio tempo, e é por isso que você vê pessoas fazendo de tudo o tempo todo.

Quem consegue pagar uma pessoa para limpar a casa está comprando algumas horas. Quem terceiriza uma atividade operacional está comprando o tempo dessa outra pessoa, seja ela bem administrada com o próprio tempo ou não. Uma empresa que estabelece uma boa parceria pode acessar uma competência que levaria anos para desenvolver internamente. Um grupo de compras pode reduzir custo e esforço para todos os participantes. Existe inteligência nisso.

Então, quando pensamos em evolução tecnológica, precisamos também pensar nas evoluções que, através da tecnologia, são possíveis de fazer na rotina.

Aí vem a armadilha: mesmo quem compra tempo pode continuar vivendo na correria. É uma escolha pouco inteligente.

Porque, se não houver consciência sobre o que fazer com o tempo adquirido, a tendência é simplesmente preenchê-lo novamente.

E aí chegamos à maioria de nós.

Pessoas que precisam cumprir horas de trabalho em um local fechado, respeitar horário comercial, enfrentar deslocamentos, estudar, cuidar da casa, acompanhar os filhos, manter o corpo em forma, administrar as finanças e ainda encontrar algum espaço para descansar. Ao mesmo tempo, carregamos um celular que nos conecta permanentemente a notícias, mensagens, vídeos, opiniões, problemas e oportunidades.

O mundo ficou mais rápido, mas também ficou mais acessível. E nós passamos a acreditar que precisamos acompanhar tudo.

Então, é justamente aí que o autoconhecimento entra nessa conversa.

A solução, então, não é aprender a fazer mais coisas, mas descobrir quais precisam ser feitas por nós, quais podem ser simplificadas, quais precisam ser terceirizadas e quais simplesmente não precisam ser feitas.

Autoconhecimento não é apenas descobrir sua personalidade, seus pontos fortes ou suas fragilidades. É também entender como você funciona. Saber em que condições produz melhor, quais atividades consomem sua energia, o que realmente importa para você, o que faz sentido manter na sua rotina e aquilo que você continua fazendo apenas porque todo mundo faz. É descobrir o seu próprio jeito de viver e trabalhar. E, com esse processo contínuo de se observar, vem uma outra questão importante: aquilo que hoje nos parece difícil pode, com o tempo e a prática, tornar-se simples.

É aí que penso no conceito de maestria apresentado por George Leonard no livro Maestria. A ideia não está em buscar atalhos para chegar rapidamente ao resultado, mas em compreender que existe valor na prática contínua, na repetição, no aperfeiçoamento e no processo. Quem permanece tempo suficiente em uma atividade começa a desenvolver repertório, percepção e a habilidade de fazer com naturalidade aquilo que antes exigia mais esforço.

Isso também é ganhar tempo. Não porque o relógio passou a trabalhar a nosso favor, mas porque nós nos tornamos melhores naquilo que fazemos. E, se ainda acharmos que o tempo está passando rápido, nessas condições de vida, é sinal de que ele está passando da melhor forma possível, pois está sob o nosso controle.

Por isso, parte da nossa ansiedade vem justamente da tentativa de querer dominar muitas coisas ao mesmo tempo, sem permanecer tempo suficiente em nenhuma delas para adquirir a maestria. Preferimos achar que podemos tudo, acompanhar tudo, experimentar tudo e ainda ter tempo para tudo.

E, para finalizar esse conjunto valioso de gestão de tempo, eu deixo com você aquela que talvez seja a mais importante para começar esse processo: aprender a dizer não, não posso, espere.

Treinar o “Não”, “Não posso”, “Espere” não é fácil.

É uma das habilidades mais difíceis do nosso tempo, porque somos constantemente convidados a prestar atenção em alguma coisa. A tela está sempre oferecendo alguma coisa, e negar distrações exige consciência (autoconhecimento 🙂 ).

É importante pensar nisso porque essa capacidade de manter a atenção será cada vez mais valiosa. Enquanto muitas pessoas continuarão cada vez mais dependentes de telas, estímulos rápidos e pequenas recompensas digitais, quem conseguir proteger a própria atenção poderá construir uma vantagem enorme, tanto na vida quanto nos negócios.

Não porque será mais produtivo em todas as horas do dia, mas porque conseguirá permanecer inteiro naquilo que escolheu fazer.

E, como bônus, quero deixar para você um passo a ser dado após essa virada de chave na sua vida: começar a sair de si.

Fazer um trabalho voluntário, ajudar alguém, servir ao outro sem transformar tudo em negócio ou oportunidade. Isso pode parecer, à primeira vista, algo que ocupa ainda mais tempo. Mas, nesse estágio, você vai perceber que existe uma diferença enorme entre gastar tempo e investir tempo.

Quando você faz alguma coisa pelo outro, sem esperar necessariamente uma recompensa imediata, sua percepção sobre o próprio tempo pode mudar. Você deixa de medir o dia apenas pelo que produziu, vendeu, comprou, estudou ou conquistou. O tempo passa a ter significado.

Talvez essa seja uma das grandes perguntas que o autoconhecimento nos coloca: o que eu quero fazer com o tempo que tenho?

Nessa altura, você já percebeu que a resposta não é única, e ainda bem!

Algumas pessoas vão escolher trabalhar mais. Outras vão escolher estar mais com a família. Algumas vão investir em um negócio, outras em conhecimento. Algumas vão querer viajar, outras cuidar de alguém. Haverá quem queira construir patrimônio e quem prefira construir experiências. E você pode fazer muito, desde que saiba o porquê.

Por isso, talvez antes de olhar para setembro e lamentar que o ano passou rápido, seja mais interessante olhar para os meses que ficaram para trás e perguntar o que eles deixaram EM você.

Você aprendeu alguma coisa? Tornou-se melhor em alguma atividade? Construiu alguma relação? Superou alguma dificuldade? Ajudou alguém? Viveu alguma experiência que não tinha vivido antes?

Se a resposta for sim, então o tempo não foi perdido. Ele virou experiência e você não está atrasado.

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Agronegócios
Vanessa Fernandes

Agro Inteligência

Broker, com mais de 20 anos de experiência na condução de processos e negociações com fornecedores e compradores da Agroindústria. É referência no mercado de Óleos Vegetais, com mais de USD 500 milhões em negócios concretizados. Possui domínio de negociações complexas, processos de melhoria contínua, análises de mercados e planejamento de negócios para empresas.

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