Por Vanessa Fernandes
Existe um estudo chamado Estudos de Futuros, que nada mais é do que um processo de aprendizagem, assim como estudamos gestão, negócios, análise comportamental ou planejamento.
É um estudo que favorece nossa capacidade de sobreviver em um mundo acelerado e dinâmico. E eu venho me aprofundando cada vez mais nesses conteúdos. Inclusive, um dos módulos da minha metodologia inclui esse tema.
O aprendizado da adaptação: O exemplo da igreja e da fé no ambiente digital
A partir daí, comecei a perceber que, quando estudamos futuros, passamos a olhar para o mundo de uma maneira diferente.
Tudo o que vejo de diferente me faz imaginar o futuro que foi sendo construído ao longo do tempo e, principalmente, o quanto as coisas ainda podem mudar daqui para frente.
Com isso, comecei a analisar coisas que, para mim, pareciam estáticas e percebi uma coisa:
A igreja é algo milenar, mas veja como as formas pelas quais as pessoas vivem, comunicam, estudam e compartilham a fé mudaram bastante ao longo do tempo, principalmente depois da pandemia.
Eu mesma era muito motivada a participar de encontros de oração presenciais e promovia atividades em grupos, tanto de oração quanto de práticas de caridade.
Hoje percebo que, com a dificuldade de conseguir reunir as pessoas e conciliar os compromissos de todos, fui optando por alternativas para continuar exercendo minha prática religiosa.
Nesse futuro, já existem conteúdos religiosos nas redes sociais, transmissões de missas e cultos pela internet, aplicativos, podcasts, vídeos, comunidades digitais e tantas outras formas de comunicação.
Indiretamente, você está conectado com muitas pessoas, apesar do isolamento e da profundidade que, antes, talvez fosse muito mais rica em alguns aspectos.
Preservar a essência sem se prender aos velhos métodos
Essa reflexão também me permitiu fazer uma distinção importante:
Adaptar-se ao futuro não significa abandonar aquilo que você é.
Significa encontrar novas formas de continuar entregando aquilo que é essencial.
Você pode preservar:
valores;
princípios;
propósito;
identidade;
sem necessariamente preservar:
métodos;
ferramentas;
processos;
formatos;
modelos de negócio.
E o mais interessante é que isso vale para a igreja, para empresas e para profissionais.
Se até algo tão antigo e estruturado como a igreja precisou dialogar com as mudanças do mundo, por que nós continuamos tratando o futuro como se ele fosse apenas uma extensão do presente?
Pensar em futuros
Pensar em futuros é olhar para as transformações que estão acontecendo no mundo, para as possibilidades que podem surgir a partir delas e para os diferentes caminhos que o futuro pode tomar.
É também compreender os impactos das decisões que tomamos hoje e, principalmente, desenvolver a capacidade de nos preparar antes que a mudança nos obrigue a mudar.
Por isso, o profissional não deve perguntar apenas:
“O que está acontecendo?”
Mas também:
“Se isso continuar acontecendo, onde podemos chegar?”
E ainda:
“O que eu preciso começar a fazer hoje por causa disso?”
O conceito de Múltiplos Futuros e a visão estratégica
Por que futuros, no plural?
Esse talvez seja um dos pontos mais importantes desse estudo.
O futuro não é tratado como um único caminho que precisamos descobrir.
Os Estudos de Futuros trabalham justamente com a ideia de múltiplos futuros, porque aquilo que ainda não aconteceu está sujeito a incertezas, mudanças, decisões e acontecimentos que podem alterar os caminhos que imaginamos hoje.
Desenhar apenas um futuro e tratá-lo como certo pode ser perigoso.
Se a estratégia de uma empresa ou de um profissional estiver baseada em uma única previsão e ela não se concretizar, estaremos preparados para aquilo que imaginamos, mas não necessariamente para aquilo que aconteceu.
Por isso, estudar futuros é ampliar o campo de visão e perguntar:
“Quais futuros são possíveis?”
“Quais são plausíveis?”
“Quais são mais prováveis?”
“Quais são desejáveis?”
“Quais são indesejáveis?”
E, principalmente:
“O que posso fazer hoje para aumentar a possibilidade de chegar aos futuros que desejo?”
Isso aproxima o conceito de futuros de estratégia e tomada de decisão, e não de previsão ou adivinhação.
A aplicação dos Estudos de Futuros no Agronegócio
E o agro?
O profissional do agro trabalha em um ambiente extremamente sujeito a transformações.
Tecnologia, inteligência artificial, mudanças tributárias, comportamento dos consumidores, novas exigências de mercado, mudanças climáticas, novas formas de comercialização, geopolítica, mudanças nas relações de trabalho, novas profissões e novos modelos de negócio.
Tudo isso já está transformando profundamente a maneira como trabalhamos e fazemos negócios.
O profissional completo sabe fazer bem o que o mercado exige hoje e que começa a se preparar para o que o mercado poderá exigir amanhã.
Então fica a pergunta:
O que você precisaria começar a aprender hoje se soubesse dos futuros que o seu mercado pode ter nos próximos cinco anos?
Se esse tema despertou sua curiosidade, talvez valha a pena começar a estudar futuros, afinal um estudo como esse pode te levar para as novas oportunidades que chegarão para voce em algum desses possiveis futuros.
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