Por Benedito Said
ILUSÃO
Período eleitoral é assim. O discurso é fruto da fábrica de ilusão. As palavras soam como templos de salvação, principalmente em tempos de dívidas e incertezas. Ninguém sai ileso, mas é pior para a patuleia ignara, território que falta gordura extra.
PROVA
Não precisa ir até a quitanda da esquina para se saber que o negócio desandou de vez. Faltará mercadoria e até troco para o raro freguês endividado. Um pouco do retrato cruel que também atinge as empresas. Entre o segundo trimestre de 2023 e o deste ano, as empresas que recorreram à recuperação judicial saltaram de 3.823 para 6.341.
NÚMERO
A doença da economia pegou o varejo, os setores de transporte e infraestrutura, até mesmo o agronegócio. Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, estima que há hoje 9,1 milhões de empresas no vermelho, 8,5 milhões das quais micro ou pequenas. Algumas perderam competitividade, outras não.
CRÉDITO
Quem não aguenta o tranco, fecha as portas. Os dados abertos pela Receita Federal mostram que Montes Claros, por exemplo, 79.621 CNPJs. Janaúba vem em segundo lugar, com 11.299 CNPJs fechados. E a cobra fuma em sequência: Pirapora, Januária, Bocaiuva, Salinas, São Francisco, Taiobeiras, Porteirinha e Várzea da Palma.
RETRATO
O déficit do governo federal duplicou nos últimos 12 meses, indo de 0,7% para 1,4% do PIB. Vem o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e diz que isso se deve aos juros. Ouça-se o presidente do Banco Central e ele dirá que os juros estão onde estão porque o governo gasta além de suas posses. Arrecadou 5,6% acima da inflação e gastou 6,3% além do que podia.
CHAPÉU
Lula oferece agora os seus simpáticos chapéus, o que não resolve problema algum. Antigamente, havia a expressão “passar o chapéu”. Passar o chapéu era comum principalmente em quermesses com leilões de frango e porco vivo. Era o jeito de ajudar na construção da igreja ou a obra social que atendia os depauperados. Quando o roto encontra o esfarrapado, nada melhor que um abraço apertado de ossos esquálidos.
BANCA
Enquanto o cenário cruel se organiza, levando muitos à bancarrota. A declaração de insolvência não escolhe quem levará ao cadafalso. Aquele que recebe benefícios oficiais, Bolsa Família incluso, acomoda-se. Mas o preço da conta vem, já que a retórica não fica viva diante da falta de dinheiro. É questão de tempo. O cenário é esse. A eleição não tem personagens capazes de mudar o rumo da Queda da Bastilha. A prisão medieval foi invadida, o absolutismo ruiu e logo veio a Revolução Francesa, isso pelos anos de 1790.
SINAL
A recuperação judicial do grupo Casas Bahia é apenas um retrato que merece análise rasa em semiótica. Vendendo em suaves prestações aquela rede de lojas sempre atendeu os menos abastados, tudo em suaves prestações. Minguou o dinheiro circulando, os juros pesaram no bolso de todos e até o seguro retirou suporte da rede de lojas. Delfim Neto, eterno ministro da Fazenda dos governos militares, afirmava que a parte mais sensível do corpo humano é o bolso. É esperar. Solução eleitoral não há. Revolta? Talvez.
MACA
Este articulista septuagenário passará por cirurgia, Hospital Santa Casa. Pelo que ficará fora de combate durante alguns dias.



















